Pular para o conteúdo principal

Serra e a China: um caso de esquizofrenia

Recebo um interessante e esclarecedor material de um amigo jornalista sobre a coerência do agora chanceler José Serra. As suas convicções mudam ao sabor dos ventos, revelando detalhes de sua personalidade conhecidos por muita gente, mas ignorados por outros tantos: a falta de caráter, a ignorância, o oportunismo e o carreirismo.

O texto aborda declarações de Serra sobre a relação Brasil - China.

O homem é um "jênio" ...

Comércio entre Brasil e China

"Vendemos o couro para que eles façam os sapatos e nos vendam. Isso é um absurdo. Nós estamos nos especializando em exportar empregos."

José Serra em 2010, durante um evento de sua campanha à Presidência da República

"O Brasil não tem que ter preconceito contra a exportação de produto primário, não. Nós temos capacidade, como tiveram os EUA, de exportar as duas coisas."

José Serra em palestra na Fiesp em junho de 2016

China como economia de mercado

"A troco de nada, o deslumbramento do governo Lula com a China levou-o a reconhecê-la como 'economia de mercado', dando mais proteção às suas práticas desleais de comércio." 

José Serra, no artigo "Negócio da China", publicado em 2011

"É importante a questão do reconhecimento do mercado. Mas o mundo inteiro está na expectativa desse assunto e o Brasil vai agir como observador e seguir a média mundial nessa matéria."

José Serra, durante palestra para empresários na Fiesp, em junho de 2016

Parcerias Brasil-China

"O país está desaparelhado para a nova realidade do comércio internacional, caracterizado por toda sorte de ações de concorrência desleal, sobretudo por parte da China."

Trecho do programa de governo de Serra para as eleições presidenciais de 2010

"A China, a meu ver, tem que merecer um tratamento especial nosso. Temos que ter uma área especial dentro do Itamaraty dedicada à China [...] Temos que tratar a China...puxa...é o nosso principal parceiro comercial."

José Serra, em palestra na Fiesp, em junho de 2016

Investimentos chineses no Brasil

"Como os chineses são espertos, não lhes custará fazer uma concessão aqui ou ali em matéria de investimentos que envolvam maior valor agregado e alguma tecnologia nova. Mas só um pouquinho."

José Serra, no artigo "Negócio da China", publicado em 2011

"Nos interessa bastante"

José Serra, no dia 2 de setembro deste ano, durante reunião do G20, na China, sobre demonstração do primeiro-ministro chinês, Xi Jinping, de continuar a investir em infraestrutura no Brasil. (Carlos Motta)

Comentários

  1. Da pra desconfiar... Será que é paixão? Será que arranjou um amor chines?

    ResponderExcluir
  2. Esse aí não tem coerência nem aqui nem na China!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…