terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A política poderia nos salvar. Mas ela foi destruída


O aumento do preço da gasolina depois de duas reduções que não chegaram ao bolso do consumidor; a afirmação do prefeito eleito de São Paulo de que a cidade é um "lixo vivo"; a canetada do ministro do Supremo Tribunal Federal que tirou o presidente do Senado de seu cargo. 

Notícias é que não faltam neste Brasil Novo.

Separadas, elas são apenas mais uma entre tantas a encher os portais da internet e as páginas dos jornalões.

Juntas, contam outra história.

Revelam um país profundamente ferido em suas instituições, à beira de uma ruptura social, sem rumo, com a atividade econômica em recessão, e à mercê de fugazes salvadores e justiceiros de ocasião.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

13º salário injeta R$ 197 bilhões na economia

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que 13º salário deve injetar R$ 196,7 bilhões na economia em 2016 no Brasil, o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB). 

O rendimento adicional, em média, é de R$ 2.192.

Dos 84 milhões de brasileiros beneficiados, aproximadamente R$ 33,6 milhões (ou 39,9% do total) são aposentados ou pensionistas da Previdência Social (INSS). Também, 31,5% dos R$ 197 bilhões a serem pagos como 13º serão para aposentados e pensionistas, o que reflete o peso econômico e social da Previdência, como mostra tabela abaixo.




O número de pessoas que receberá o 13º salário em 2016 é 0,2% superior ao calculado para 2015: o número de empregados do setor formal sofreu redução de 1,3%, e aposentados e pensionistas do INSS aumentou 2,6%. Comparando com 2015, a quantia apurada neste ano indica crescimento real de 0,6%, mas se observados apenas os trabalhadores do setor formal, estima-se queda real de -3,4% no montante pago.

A parcela mais expressiva do 13º salário (50,9%) deve ficar nos Estados do Sudeste. A economia paulista deverá receber cerca de R$ 57,8 bilhões a título de 13° salário, aproximadamente 29,4% do total do Brasil e 57,7% do Sudeste. (Ana Luíza Matos de Oliveira, economista/Fundação Perseu Abramo)

O problema do Brasil não são as leis, são os brasileiros


Este Brasil Novo tem se mostrado ansioso por mudar as leis.

Seus luminares querem mexer em tudo, da previdência social às punições aos corruptos. 

É como se todo o intrincado sistema legal do país, incluindo a própria Constituição, fosse um monte de lixo.

Mas qualquer um que se disponha a gastar alguns minutos para refletir sobre isso vai chegar à conclusão que o problema do Brasil não é a falta de leis, mas sim a sua aplicação.

O país, é fácil perceber, tem leis para tudo, para todos os gostos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Banco Central erra ao reduzir a Selic em apenas 0,25 p. p.

Em nota divulgada pelo Copom, a autoridade monetária decidiu, por unanimidade, cortar a Selic em 0,25 p.p. Ou seja, a taxa básica de juros passa de 14% para 13,75% ao ano. Tal decisão se mostra extremamente deslocada da realidade da crise. Seguindo o cenário traçado pelo Banco Central, a inflação está em forte queda e as perspectivas são de convergência para o centro da meta em 2017. Desde o início de 2014, a economia já acumula contração de 8,4%, e não há sinais de que a crise tenha arrefecido. Na realidade, o PIB se retraiu 0,8% entre julho e setembro, o dobro da queda de 0,4% registrada no trimestre anterior, na série com ajuste sazonal. 

Neste processo, no âmbito da economia doméstica, a alta do desemprego, o forte endividamento de empresas e famílias, a grande capacidade ociosa da indústria e as contínuas frustrações de arrecadação nos diversos níveis do governo marcam a gravidade da crise econômica atual. 

Não é mais uma crise, é uma tragédia


Quem viveu mais de meio século, como eu, deve se lembrar de como foram os governos Sarney, Collor, Itamar e FHC.

Os mais jovens, felizmente, se recordam apenas do Brasil sob a liderança dos trabalhistas, Lula e Dilma.

Não têm, portanto, a menor noção do que era o país antes, do número de miseráveis que habitava esta terra, do tamanho da desesperança que havia nela.

Os governos Lula e Dilma, hoje fica mais claro, foram uma exceção na história do Brasil, porque deram voz e vez aos excluídos pelo cruel pré-capitalismo nativo.