sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Empresas se afundam na inadimplência


Uma coisa é certa: poucos países têm, como o Brasil, um ministro da Fazenda capaz de decretar, como num passe de mágica, o fim da recessão. Pena que a sua afirmação fique só no campo da ficção, pois no mundo real a desgraça promovida na economia pelo golpe de Estado que levou ao poder o Dr. Mesóclise e seu bando de picaretas a cada dia se aprofunda mais.

Hoje  o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram números sobre a inadimplência das empresas. E não deu outra: o número das caloteiras aumentou 5,28% em janeiro, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Recuperação do setor industrial ainda é não é clara


Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção industrial teve queda de 6,6­­% no acumulado do ano de 2016. Trata-se do terceiro ano de queda seguida do segmento e ainda o terceiro pior para um ano na série histórica iniciada em 2002, perdendo apenas para 2015, com baixa de 8,3% na produção, e para 2009, com recuo de 7,1%.

Na comparação mês a mês, ocorreu de novembro para dezembro um aumento de 2,3% na produção industrial, impulsionado particularmente pelo setor de veículos automotores. Veículos automotores, reboques e carrocerias registraram alta de 10,8%, o que intensificou o índice do mês anterior, de 6,9%. O resultado para esse segmento foi o maior desde junho de 2016, quando houve alta de 11,7%. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Brasil, uma imensa masmorra


A civilização, definitivamente, passa longe do Brasil. A contemporaneidade, então, nem sabe onde é essa terra, que em várias áreas ainda vive como se estivesse na Idade Média.

A Justiça, por exemplo, eternamente demorada e ineficiente.

Ou o sistema carcerário, que faz inveja às mais soturnas masmorras dos tempos em que o homem era ainda mais violento e cruel do que hoje.

Levantamento dos tribunais de Justiça de todo o país, por recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que os direitos humanos, no Brasil, são simplesmente um conceito abstrato, algo tão distante da nossa realidade quanto os exoplanetas descobertos outro dias desses.

O resumo da pesquisa do CNJ é aterrador: uma pessoa presa provisoriamente no Brasil fica em média um ano e três dias encarcerado antes de ir a julgamento.

Em Pernambuco, quem é detido em flagrante permanece, em média, mais de dois anos e meio (974 dias) encarcerado, antes de ter a sentença proferida por um juiz.

Bancos públicos atuam para reduzir a estrutura do Estado


A política bancária e creditícia do socialdesenvolvimentismo em tudo se diferenciou da política praticada entre 1994 e 2002, quando o que se observava era a internacionalização e a desestatização do setor bancário.

O encolhimento do número de bancos privados nacionais veio acompanhado do aumento do número de bancos privados estrangeiros e da privatização dos bancos públicos estaduais, além do enxugamento dos federais. Nesse período, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) praticamente restringiu sua atuação ao financiamento de exportações, o Banco do Brasil (BB) encolheu enormemente o crédito do setor rural e a Caixa Econômica Federal (Caixa) viu estagnar o crédito para habitações. Não é exagero afirmar que o período foi marcado por uma política de crédito passiva.

Já entre 2003 e 2008, ainda que ajudado por uma conjuntura internacional favorável, o que se nota no Brasil é a renacionalização do sistema bancário. Nesse período, retomando a importância das políticas de crédito, o governo promoveu a melhora da relação entre o crédito bancário e o PIB por meio de uma série de incentivos macro e microeconômicos, estimulando desde a redução da taxa básica de juros até a regulamentação dos empréstimos consignados em folha de pagamento.

Vai um jurinho aí? Taxa do cartão de crédito é a maior da história


Ainda bem que a recessão, como informou o sério e casto ministro da Fazenda, acabou, a inflação está sob controle, e a enorme família brasileira recuperou empregos e o poder de compra. A gente respira mais aliviado sabendo que temos um Executivo central preocupado com o nosso bem-estar, que lá está, firme, forte e vigilante, com a única preocupação de transformar esta terra de Pindorama num paraíso de leite e mel. 

O problema é que, de vez em quando, alguns insistem em nos trazer de volta à realidade para dizer, por exemplo, que a taxa de juros rotativa do cartão de crédito subiu e bateu recorde em janeiro, chegando a inacreditáveis 486,8% ao ano, em janeiro.

A informação é do insuspeito Banco Central (BC), o guardião de nossa moeda, da inflação e das nossas esperanças. 

A tarifa subiu 2,2 pontos percentuais em relação a dezembro e foi a maior da série histórica iniciada em março de 2011.