quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Alckmin expulsa do Horto Florestal institutos de pesquisa



O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), determinou por meio do secretário de Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, que o Instituto Florestal e a Fundação Florestal desocupem as suas atuais sedes. O comunicado chegou aos pesquisadores de ambos os órgãos na segunda-feira (26). É mais um ataque do governo paulista ao patrimônio científico público, e que vem fragilizando o desenvolvimento de pesquisas no estado. Os acervos e pesquisadores deverão ser transferidos para o prédio da Secretaria do Meio Ambiente, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

O Instituto Florestal e a Fundação Florestal estão sediadas no Parque Estadual Alberto Lofgren, o Horto Florestal, na zona norte da capital paulista, e suas instalações incluem laboratórios, herbário (arquivo de plantas), museu, biblioteca, xiloteca (arquivo de tipos de madeira), refeitório e hospedaria (para pesquisadores de outras localidades), além dos centros administrativos das unidades de pesquisa no interior e de áreas de conservação ambiental. As duas instituições contam com corpo técnico de 1.317 funcionários.

Os pesquisadores afirmam que as desocupações anunciadas segunda-feira colocam em risco o patrimônio ambiental e cultural do Estado. Eles ainda alegam que não está clara a destinação dos imóveis após as desocupações, e cobram explicações,

"Este processo não é transparente, os motivos não estão claros, não houve participação das direções destes institutos e da fundação, nem da comunidade científica. Também não é informada a destinação que se pretende dar a estes imóveis públicos, instalados no interior de um parque estadual, sendo que alguns destes prédios são tombados pelo patrimônio histórico. A preocupação é grande por parte do nosso corpo técnico e comunidade de entorno quanto a mais um possível desmonte com a venda destes imóveis", afirma o presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos dos Estado de São Paulo (APqC), Joaquim Adelino Azevedo Filho.

Ele afirma que a realocação desses equipamentos em outras áreas compromete a realização de suas funções, e teme ainda que elas não sejam transferidas em conjunto. Além do risco de dispersão, Adelino aponta riscos de perdas e danos no transporte dos arquivos e materiais, que acumulam mais de um século de investimentos em pesquisa.

"O Parque do Horto Florestal dispõe de estrutura adequada para atendimento do corpo funcional. Esta mudança pode ser muito desastrosa para a pesquisa. E não sabemos ainda o motivo deste pedido de desocupação. O governo dita as regras e não somos nem ao menos consultados", acrescenta Joaquim.

Sem parar

Em abril, o governador enviou à Assembleia Legislativa, em caráter de urgência, o Projeto de Lei 328, que prevê a venda de 79 áreas públicas estaduais avaliadas em R$ 1,43 bilhão no total, entre as quais centros de pesquisa e parques públicos localizados na capital e no interior do estado.

O pretexto do governo Alckmin foi "fazer caixa e equilibrar as contas públicas". Devido à falta de transparência e de diálogo com os servidores, que pediam a realização de audiências públicas para debater a questão, a Justiça chegou a suspender a tramitação do projeto mas o  Executivo, após manobras junto à bancada governista da Assembleia, conseguiu a sua liberação, no mês passado, inclusive com a inclusão de novas propriedades a serem vendidas.

No processo de privatização de áreas públicas, o governo Alckmin já havia despejado, sem ordem judicial, 60 famílias de trabalhadores rurais sem terra da Ocupação Nova Esperança, no município de Itaberá, na região de Itapeva, que ocupavam também terreno da Secretaria do Meio Ambiente. (Rede Brasil Atual)

O significado da efetivação de Michel Temer para o mercado



A efetivação de Michel Temer na Presidência da República não foi apenas uma mudança de governante, mas uma mudança de paradigma na relação entre o governo e o mercado.

Na visão do mercado sai uma governante intervencionista, que não hesitava em utilizar os instrumentos de política econômica para interferir nos negócios privados e até na margem de retorno dos empreendimentos, e entra um governante sintonizado com os princípios da livre iniciativa e com visão fiscalista.

De fato, as diretrizes da nova gestão, sintetizadas no documento “Ponte para o futuro”, são claras quanto à propositura de mudanças no papel do Estado na economia, na defesa do equilíbrio das contas públicas e na melhoria do chamado ambiente de negócios.

Em síntese, a agenda do novo governo propõe:

Bancos extinguem 9.104 empregos em oito meses

Os bancos fecharam 1.207 postos de trabalho em agosto, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Entre janeiro e agosto deste ano, o total de empregos extintos no setor bancário foi de 9.104, principalmente nos bancos múltiplos com carteira comercial no qual se incluem Itaú, Bradesco, Santander e BB. A Caixa eliminou 47 empregos em agosto, e 1.961 em oito meses.

“Os bancos não têm justificativa para cortar empregos. Apenas no primeiro semestre de 2016 lucraram quase R$ 30 bilhões”, diz a diretora-executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Marta Soares. “Os bancários estão sobrecarregados e adoecidos, a população, que paga por altos juros e tarifas, continua sendo mal atendida. Eles deveriam contratar e gerar empregos, mas fazem justamente o contrário.”

Os bancários estão em greve desde 6 de setembro e uma das reivindicações é que as instituições financeiras se comprometam com os termos da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que coíbe dispensas imotivadas.

“Nossa luta é por reajuste decente para salários, vales e auxílios, é por condições de trabalho dignas, sem assédio moral ou pressão por metas abusivas, mas também é por mecanismos de proteção aos empregos. Os bancos têm condições de apresentar proposta decente e estamos abertos ao diálogo. Enquanto isso não acontece, manteremos nossa paralisação forte”, reforça a diretora do sindicato.

As instituições financeiras aumentam seus ganhos com a alta rotatividade que promovem. De janeiro a agosto, os bancários admitidos recebiam, em média, R$ 3.695,58, enquanto que os desligados tinham remuneração média de R$ 6.416,33. Ou seja, os admitidos entram ganhando 58% do que os que saem. “Uma situação absurda, por isso reivindicamos o fim das dispensas imotivadas”, completa Marta. (Redação Spbancarios)

O contínuo do Estadão que venerava Maluf, e os novos Malufs


O pessoal que trabalhou no Estadão lá pelos anos 80 e 90 certamente se lembra de um contínuo que fazia mais serviços externos que internos, o Hélio Louco, morto em um acidente de carro. Era um grandalhão que usava um blusão de couro, sempre pronto a tirar sarro dos "petistas", que é como se referia a todo aquele que não gostava do seu maior ídolo político - e de vida -, um senhor chamado Paulo Maluf.

O Hélio Louco era mais malufista que qualquer um dos taxistas que, em determinada época, compunham a esquadra volante dos cabos eleitorais do referido senhor pela metrópole. A devoção do Hélio Louco por Maluf era algo de se ver. Claro que nós não perdíamos nenhuma oportunidade para provocá-lo, mesmo sabendo que haveria o troco.

Geralmente ele vinha quando grupos de estudantes visitavam a redação, levados por um simpático recepcionista de quem não lembro mais o nome. Os escolares iam, em fila indiana, passando pelos corredores formados por nossas mesas, curiosos a observar o nosso trabalho. Quando o Hélio Louco, para azar nosso, se achava presente, não aliviava para o nosso lado - chamava a atenção da estudantada e dizia alto, para todos ouvirem:

- Atenção, não deem comida para os animais.

E soltava uma sonora gargalhada.

Certo dia perguntei aos colegas mais antigos de casa se havia uma razão especial para que o Hélio Louco gostasse tanto de Maluf. Havia, disseram. E me contaram uma história que foi, posteriormente, confirmada pelo próprio Hélio: segundo ele, sua filha estava viva graças a Maluf.

Conforme relatou, ela estava muito doente quando o então governador e comitiva visitaram o bairro onde morava. Ele tomou coragem e foi implorar ajuda a Maluf. Chegou a ajoelhar diante dele. Maluf o ouviu e imediatamente mandou seus assessores levarem a menina para um hospital. E ela se salvou.

Depois disso, para o Hélio Louco só havia Deus no Céu e Maluf na Terra.

Passados tantos anos da confissão do Hélio Louco fico imaginando quantas pessoas humildes como ele, por um motivo ou outro, passaram parte de suas vidas pagando um favor feito por um político, arranjando votos de amigos e familiares, distribuindo santinhos, batendo de porta em porta na vizinhança fazendo propaganda do "doutor", gastando a sola do sapato para agradar o chefe.

No caso do Hélio Louco calhou de ser Maluf o seu "salvador", o Maluf que fez carreira politica adulando os militares, cumprindo todas as suas ordens ao mesmo tempo em que ia desenvolvendo essa faceta populista e demagógica que tanto impressionava a população desassistida por um Estado cruel e ausente para os pobres, mas afável e muito presente para os ricos.

O tempo passou, o Brasil mudou, Maluf é hoje, para muitos, apenas uma lembrança de mais um político que fez da vida pública um balcão de negócios. 

Seu modus operandi, porém, não só continua vivo, mas é aperfeiçoado a cada instante por seus herdeiros, aqueles que fazem do verbo malufar ("o supra-sumo da Lei de Gérson aplicado à gestão pública; neologismo que significa esperteza, no pior sentido, a malandragem mais descarada, a roubalheira associada ao empreendedorismo do político; o salvo-conduto para a safadeza", segundo o Dicionário Informal da Língua Portuguesa) a razão de suas vidas.

Estas eleições municipais estão repletas de candidatos a Maluf. Eles estão em todas as cidades, dissimulada ou abertamente disputando os votos dos inúmeros Hélios Loucos que existem. 

Na maior cidade do país, São Paulo, Maluf claramente inspira dois candidatos, um, rico e esnobe, o perfeito almofadinha, o outro igualmente rico e esnobe, mas que se disfarça em defensor dos ingênuos consumidores brasileiros.

Cada qual, a seu jeito, adota o malufismo em sua conduta, discursando para a parcela do eleitorado que acha que basta que seus problemas particulares sejam resolvidos para que o mundo fique melhor. 

O mundo, porém, só vai melhorar se essa visão egoística e imediatista não prevalecer, se a ela se sobrepor aquela que dá prioridade ao bem-estar coletivo, à redução das desigualdades e das injustiças.

Maluf esteve reinando em São Paulo por décadas.

São Paulo mudou. 

Para pior. (Carlos Motta)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

E os números das pesquisas vão se ajustando...


Dá até preguiça de escrever isso, de tanto que o negócio é manjado, mas é sempre bom lembrar: em toda eleição os institutos de pesquisa (sic) ajustam seus números nos últimos dias para que, abertas as urnas, eles não fiquem desmoralizados.

No Brasil os dois institutos mais conhecidos são o Datafolha e o Ibope, que já cometeram erros crassos em eleições passadas.

O Datafolha faz parte do grupo Folha, que sempre teve o rabo preso com a oligarquia nacional.

O Ibope... bem o Ibope é do Montenegro, figurinha carimbada, bem conhecida nas altas esferas políticas e empresariais desta terra onde tudo que se planta, dá.

Esperar lisura ou honestidade dessas duas empresas é algo tão improvável quanto achar que o João Dólar sabe onde fica o Jardim Ângela.

Datafolha e Ibope fazem parte do poderoso exército montado para eliminar a esquerda da vida política nacional.

No caso da eleição paulistana, é só voltar ao passado para ver que os candidatos progressistas sempre tiveram um desempenho superior aos que o Datafolha e Ibope atribuem a eles neste momento.

O prefeito Fernando Haddad é odiado por parte da população - a mesma parcela que votava em Paulo Maluf, cerca de 30% do eleitorado.

Apesar disso, atribuir a ele minguados 8%, 9% das intenções de voto, como os dois institutos de pesquisa atestavam até outro dia, é uma afronta à inteligência.

Daqui até o fim da semana, como já está sendo feito, vão, milagrosamente, brotar mais votos para Haddad.

Se serão suficientes para levá-lo ao segundo turno contra o Maluf da vez, é outra história.

Se não conseguir, o trabalho do Datafolha e do Ibope de manipular os números terá sido bem sucedido - como foi em eleições passadas. (Carlos Motta)