Livro reúne seleção de contos de João Carrascoza


“As coisas estão lá, pedindo para que a gente as faça, e uma hora a gente as faz, porque temos de povoar o tempo.” Por meio de pequenas situações, João Carrascoza convida o leitor a contemplar o mistério da vida como quem contempla a paisagem, de lado, no banco de um carro. Com profundidade, proximidade e poeticidade, o autor faz desse contemplar um exercício de percepção de diferentes realidades em seu novo livro, lançado pela Editora Positivo, "A Estação das Pequenas Coisas".

Com 18 contos, selecionados de livros publicados nos últimos dez anos de carreira, Carrascoza mostra algum tipo de experiência corriqueira vista sob um olhar mais literário. “No fundo, as histórias, mesmo escritas em épocas distintas, advêm de um mesmo sentimento: a valorização das coisas aparentemente inexpressivas em nosso dia a dia, a atenção para a música em tom menor que vibra no espaço doméstico e que, no entanto, traz também notas (quase silenciosas) da esfera exterior”, explica.


Quanto ao título do livro, o escritor elucida que, além da palavra “estação” se referir a um ponto ou local de parada em meio a um deslocamento, como em uma estação de trem, também remete a um período. “Assim como a primavera e o verão são trechos de tempo, haveria uma estação, se é que ela não é a nossa vida toda, em que as coisas de pouca monta se mostram, senão grandiosas, capazes de ampliar a nossa compreensão do mundo."


Fabíola Ribeiro Farias, responsável pela seleção e organização das 173 páginas da obra, conta, na apresentação do livro, que “a arte de Carrascoza está em construir, com as palavras, o cotidiano, para que possamos extrapolá-lo, vivê-lo e compreendê-lo para além das vinte e quatro horas do dia, distinguindo o comum do banal”. Para ela, os contos são uma forma de ampliar o repertório para compreender o mundo e, especialmente, as relações entre as pessoas.


João Anzanello Carrascoza nasceu em Cravinhos, São Paulo. É escritor e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, onde fez mestrado e doutorado, e da Escola Superior de Propaganda e Marketing-SP. Publicou os romances Caderno de um ausente, Menina escrevendo com pai e A pele da terra, que compõem a Trilogia do adeus, e várias coletâneas de contos, entre as quais O volume do silêncio, Espinhos e alfinetes e Aquela água toda. É também autor de obras para o público infanto-juvenil, como A terra do lá, O vendedor de sustos e Aprendiz de inventor. Algumas de suas histórias foram traduzidas para o bengali, croata, espanhol, francês, inglês, italiano, sueco e tamil. Recebeu os prêmios Jabuti (CBL), Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e os internacionais Radio France (RFI) e White Raves (Library Munich). 

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