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Wanderléa apresenta "década de arromba" no teatro


O musical estrelado pela cantora Wanderléa, a “Ternurinha” da Jovem Guarda, “60! Década de Arromba – Doc. Musical”, estará em temporada no Teatro Iguatemi Campinas no período de 15 de março a 1° de abril com apresentações às 20 horas nas quintas e sextas-feiras, às 21 horas nos sábados e às 17 horas nos domingos.

O espetáculo faz um passeio musical pelos amos 1960, com seus principais fatos e acontecimentos por meio de vídeos, depoimentos e fotos, numa superprodução com quase três horas de duração, 20 cenários, 24 atores, cantores e bailarinos, orquestra ao vivo, cerca de 350 figurinos, perucas e os grandes sucessos musicais.


Construído a partir de canções conhecidas de todo o público, o musical foi feito para toda a família e mescla humor, números circenses e ilusionismo por meio de duas telas de projeção cinematográfica e um telão de LED que facilitam uma viagem do espetador para essa década tão importante. Uma história cantada com fatos, músicas memoráveis e muita emoção.


Os ingressos custam de R$ 25,00 a R$ 200,00 e estão à venda na bilheteria do Teatro Iguatemi ou online pelo site www.ingressorapido.com.br. 

Dirigido por Frederico Reder, o musical é fruto de uma extensa pesquisa feita por Marcos Nauer, também roteirista do espetáculo. “60! Década de Arromba – Doc. Musical” começa com um prólogo, em 1922, contando a chegada do Rádio ao Brasil para, em seguida, mostrar o início da televisão e sua popularização na década de 1960.

A partir desse ponto, são narrados os principais acontecimentos e apresentadas mais de 100 canções de diversos gêneros: de Roberto e Erasmo, passando por Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto, Elvis Presley, Beatles, Tony e Celly Campello, Bibi Ferreira, Edith Piaf, Tom e Vinicius, Milton Nascimento, Gil e Caetano, Maysa, Geraldo Vandré e tantos outros nomes importantes na música.


No repertório, não faltam sucessos como “Banho de Lua”, “Biquíni de Bolinha Amarelinha”, “Beijinho Doce”, “Lata D’água”, “Travessia”, “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, “Era um Garoto que como eu Amava os Beatles e os Rolling Stones”, “Ponteio”, “Nós Somos Jovens”, “Filme Triste”, “Prova de Fogo”, “Pare o Casamento”, “O Calhambeque” e outras, internacionais, como “Blue Moon”, “La Bamba”, “Non Je Ne Regrette Rien”, “Yellow Submarine” e “I Say a Litlle Prayer For You”.


Wanderléa Charlup Boere Salim nasceu em Governador Valadares no dia 5 de junho de 1946. Ícone pop da década de 1960, Wanderléa sempre foi considerada um símbolo de vanguarda. Primeira mulher a posar nua grávida para uma foto e pioneira no uso das minissaias e do silicone, contribuiu para os direitos e para a liberdade das mulheres de sua geração.

A cantora impôs novos estilos e contribuiu para uma mudança comportamental quando surgiu como apresentadora - ao lado de Roberto Carlos e Erasmo Carlos -, no programa de auditório Jovem Guarda exibido pela TV Record, em São Paulo entre 1965 e 1968. A Jovem Guarda transformou-se em movimento e deu origem a toda uma nova linguagem musical e comportamental no Brasil. Sua alegria e descontração transformaram-na em um dos maiores fenômenos nacionais do século XX.


Graças ao seu talento e carisma, Wanderléa tornou-se uma das cantoras mais populares do Brasil. Seu modo de cantar, dançar e vestir a transformou em um referencial de mulher de atitude e de vanguarda. Ela ditava a moda com suas minissaias, botas, calças boca-de-sino, pernas e umbigo à mostra, cabelos ao vento.


Várias músicas de um mesmo disco entravam nas paradas de sucesso, como “Pare o Casamento”, “Foi Assim”, “Prova de Fogo”, “É o Tempo do Amor”, entre tantos outros.  Depois da Jovem Guarda, Wanderléa passou a transitar em todas as vertentes da música popular. Gravou compositores como Caetano Veloso, Djavan, Egberto Gismonti, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Jorge Mautner, Luiz Melodia, Raul Seixas e Zé Ramalho, além do Roberto Carlos e Erasmo Carlos seus grandes companheiros.


Como atriz, protagonizou o longa metragem "Juventude e Ternura" (1968), com direção de Aurélio Teixeira, e com Roberto e Erasmo em “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa” (1970), entre outros.


O programa "Jovem Guarda" foi criado pela agência de propaganda Magaldi, Maia e Prosperi quando a TV Record precisou de uma nova programação para os domingos, diante da proibição das transmissões ao vivo de partidas de futebol.

A inspiração para o nome do programa veio de uma frase do revolucionário russo Vladimir Lenin: "O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada". A proposta era vincular a expressão com a imagem dos então emergentes cantores Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.


O programa de auditório, gravado no Teatro Record, foi fenômeno de audiência, chegando a atingir - somente em São Paulo - 3 milhões de espectadores. Além das roupas (calças colantes de duas cores em formato boca-de-sino, cintos e botinhas coloridas, minissaia com botas de cano alto), as gírias e expressões ("broto", "carango", "legal", "coroa", "barra limpa", "lelé da cuca", "mancada", "pão", "papo firme", "maninha", "pinta", "pra frente", e a clássica "é uma brasa, mora?") usadas pelos apresentadores foram copiadas pelos adolescentes daquela época.

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