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América do Sul inspira novo trabalho do violonista Luis Leite


Em seu terceiro álbum autoral, "Vento Sul", o violonista Luis Leite convida o ouvinte a mergulhar no universo da música a fim de escutá-la em primeiro plano, a prestar atenção aos detalhes da melodia, harmonia e ritmo. Leite, músico com intensa atividade internacional, apresentações em mais de 20 países, e uma década de residência em Viena, buscou, nesse novo trabalho, inspiração na riqueza poética da sonoridade da América do Sul para compor as obras do disco, que pode ser ouvido aqui.

"Vento Sul" evoca o colorido plural dos países vizinhos do Brasil, pincelando os regionalismos, não de forma folclórica, mas sincrética, um amálgama das vivências do artista ao longo dos anos e que, aqui, ganha emoção particular por meio, também, da empatia artística entre os músicos convidados. O disco, segundo o próprio autor, “remete à atmosfera de sensibilidade humana do nosso continente, inspirando-se na musicalidade natural da chilena Violeta Parra, na sofisticação do trio argentino Aca Seca, na elegância rítmica do colombiano Gentil Montaña…”


No álbum, o mais introspectivo de sua carreira, Luis Leite reuniu formações diferentes para cada faixa, com as mais variadas instrumentações. Cada música possui uma identidade própria e representa um universo particular em si mesma. 


A faixa “Santiago”, que abre o disco, teve sua melodia escrita em um hotel na própria cidade homenageada, Santiago de Compostela, com alternância de compassos ímpares. No disco, a faixa atua como um preâmbulo ibérico, uma primeira parada em direção à América do Sul, e conta com a participação de Erika Ribeiro ao piano.

Buscando novos caminhos e percursos harmônicos, “Veredas” foi composta para a cantora Tatiana Parra e explora uma estética de contornos melódicos sinuosos, com a curiosa utilização do Adufo (pandeiro sem platinelas) de Sergio Krakowski, em casamento com o violão e a voz, preenchendo os graves sem tirar a delicadeza dos outros timbres.


Escrita em homenagem a Guinga, uma das suas grandes influências sonoras como compositor, “Flor da noite” traz uma sonoridade mais escura, de harmonia aveludada. Ao mesmo tempo delicada e elegante, a música abre com um solo de violão, para, em seguida, trazer a participação do clarinetista Giuliano Rosas.

Conversando estilisticamente com os tons escuros e noturnos da faixa anterior, “Noturna” soa como uma improvisação livre, em fluxo contínuo, sem repetição na sua forma. Uma reflexão nostálgica, sem pressa, que conta com a guitarra de Fred Ferreira e a voz de Lívia Nestrovski.


Composta em homenagem ao nascimento do primeiro filho de Yamandu Costa e Elodie Bouny (Benício), “Beniño” apresenta melodia doce, lembrando uma cantiga de ninar, carregando, porém, o temperamento forte da alma desses grandes artistas. Sua terceira parte é uma chacarera estilizada, que tem sua expressividade amplificada com o violino de Marcio Sanchez, o acordeon de Marcelo Caldi e a bateria de Diego Zangado.


Já “Céu de Minas” remonta às melodias naturais e narrativas musicais envolventes da música mineira, sempre presente na vida do violonista. Escrita no interior de Minas Gerais, em uma noite de céu aberto, foi inspirada pela atmosfera cativante de um momento de tranquilidade e contemplação, reunindo ainda Tatiana Parra (voz), Erika Ribeiro (piano) e Felipe Continentino (bateria).

As experiências contemplativas também são características de “Minguante”, inspirada na personalidade introspectiva e feminina da lua minguante. Traz consigo uma melodia de notas longas que leva o ouvinte a um lugar de calma e serenidade, em uma atmosfera expansiva que traz nas cordas (violino de Márcio Sanchez e viola de Elisa Monteiro) um colorido especial. Ao mesmo tempo, é uma música que possui grande escopo dinâmico, visitando nossas próprias inquietações internas.


Faixa mais jazzística do disco, “Pedra do Sal“ ganhou o nome por conta do característico encontro que acontece mensalmente perto da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, marco do movimento de ocupação cultural da cidade. Carregada de criação espontânea e de improvisação – não à toa foi gravada em um só take – a música resgata o imprevisto, abrindo espaço para a experimentação e interação, ao lado de Felipe Continentino (bateria) e Ivo Senra (Fender Rhodes).


Inspirado nos movimentos migratórios do nosso continente, “Caravan” se apresenta como um amálgama de confluências culturais, onde uma melodia suave da flauta dialoga com frases modernas do violão, polirritmias e sincretismos estilísticos, por meio da flauta de Wolfgang Puschnig, do baixo acústico de Peter Herbert e da percussão de Luis Ribeiro.

O CD chega ao fim com “Despedida” de forma serena, nostálgica. Única faixa do disco com violão de aço, traz uma inusual combinação instrumental com adufo, viola de arco e violões. O solo é feito com violão de nylon, que contrasta com o timbre do irmão de aço e o contraponto da viola. A faixa fecha o disco com um sentimento de saudade, mas também de contato com um espaço íntimo interior, de tranquilidade.


Luis Leite nasceu e cresceu no Rio de Janeiro, numa atmosfera familiar musical. Seu avô, um violonista amador, o ensinou os primeiros acordes. Seu pai e tios também tocavam, e o violão era o instrumento que congregava todos ao redor da música. Com interesse em variadas vertentes musicais, navegou desde cedo por diferentes estilos, do choro e do jazz à música clássica, começando a se apresentar profissionalmente aos 14 anos com o Grupo Camerístico de Violões.

Estudou violão na UniRio e aos 19 anos, após receber o primeiro lugar em concursos nacionais de violão, se especializou na Accademia Musicale Chigiana (Siena, Itália). Posteriormente mudou-se para Viena, onde viveu por uma década, recebendo os diplomas de bacharel e mestre pela Universität für Musik Wien, sob orientação do renomado violonista Alvaro Pierri.


Durante seu tempo residindo na Europa, Luis recebeu o primeiro lugar em diversos concursos internacionais de violão, como no Ivor Mairants International Guitar Competition (Londres) e no John Duarte International Guitar Competition (Rust). Retornou ao Brasil assumindo a cátedra de Violão da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde desde então coordena o programa de Bacharelado em Violão. Em sequência, concluiu seu Doutorado (PhD) em Música pela UniRio desenvolvendo pesquisa sobre novas linguagens de improvisação musical. Foi também vencedor do XI Prêmio BDMG Instrumental em Belo Horizonte.  Lançou os discos autorais "Mundo Urbano" e "Ostinato". (Informações da assessoria de imprensa do músico)


O vídeo mostra a sua participação no programa Partituras, da TV Brasil, com a pianista Erika Ribeiro.

https://www.youtube.com/watch?v=Y9R84R4Pwrs

Serviço

Site: www.luisleite.art.br 
Link para o disco: www.luisleite.art.br/ventosul 
Preço do CD físico: R$30,00
Preço do CD digital (baixar por MP3s diretamente do site do artista): R$15,00

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