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Secretário dos golpistas é contra ajuda às empresas


O país gastou R$ 723 bilhões com subsídios para o setor privado em um período de 10 anos encerrado em dezembro de 2016, informou o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto de Almeida, na  audiência pública da comissão mista do Senado para análise da Medida Provisória (MP) 777.

A MP 777 trata da substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada em contratos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela Taxa de Longo Prazo (TLP).

A TJLP, atualmente em 7% ao ano, é subsidiada pelo Tesouro Nacional. Quanto maior sua distância da Selic, taxa básica de juros da economia, hoje em 9,25% ao ano, maior o custo para o Tesouro. Para Mansueto de Almeida, não é uma política adequada conceder tal subsídio a grandes empresas. “Parte do subsídio concedido foi para empresas que não precisavam de ajuda nenhuma do setor público. Alguns falam que foi política industrial. Isso está equivocado”, disse.


Segundo o secretário, existem duas hipóteses de concessão de subsídios como política industrial. Uma, comum nas décadas de 50 e 60 do século passado, é a concessão de subsídio a empresas de um determinado setor para que elas diversifiquem sua produção em interesse do país. A outra, mais contemporânea, diz respeito à concessão de incentivos a "startups" (empresas que buscam explorar atividades inovadoras no mercado) para ajudar principalmente pequenas e médias empresas.

“O Brasil não fez nenhum dos dois. Nós pegamos empresas muito grandes, que sabiam há décadas fabricar determinados produtos, e demos crédito subsidiado para se tornarem maiores e fazerem mais do mesmo. Isso não é política industrial”, afirmou.

Como se diz por aí, em cada boca uma sentença.

O secretário pode achar o que quiser, mas a verdade é que a política de subsídios dos governos trabalhistas permitiu que os empresários, durante a era Lula-Dilma, produzissem e investissem com menos custos - e não é exatamente isso o que eles pedem desde sempre?

Se um país não pode ter um banco de fomento que ajude a empresa nacional - de todos os tamanhos - a prosperar, é melhor entregar de vez as suas chaves para as instituições financeiras privadas - multinacionais, principalmente.

Outra coisa: não é culpa do governo se os empresários, não todos, é claro, mas boa parte deles, não aumentaram a produção, não contrataram funcionários, não modernizaram suas instalações, mas sim aumentaram seus lucros.

Como bom neoliberal que é, o secretário Mansueto deveria, em vez de criticar os governos que atenderam os pleitos dos empresários, esculachar com os seus amigos da "iniciativa privada", que não têm, por estas plagas, como diz outro neoliberal de carteirinha, o ex-ministro Delfim Netto, "o espírito animal" do empreendedor, e sim o espírito de "bons vivants". (Com informações da Agência Brasil)

Comentários

  1. O que vai resolver mesmo o problema orçamentario é o PDV: Plano de Detenção Voluntária. O funcionário faz um exame de consciência: se roubou, vai pra Delegacia e se entrega espontâneamente. Garanto que antes do fim do ano o superávit aparece.

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