sexta-feira, 28 de julho de 2017

Para quem fala Meirelles, o otimista?


Marcelo P.F. Manzano

Desde que assumiu como ministro da Fazenda, o banqueiro Henrique Meirelles tem se notabilizado por fazer previsões otimistas sobre a economia brasileira que são sistematicamente frustradas pela dura realidade dos fatos, muitos dos quais resultantes de seus próprios atos.

Já em 8 de junho de 2016, menos de um mês depois de assumir o cargo, dizia ele em entrevista coletiva: “Não tenho a menor dúvida de que, no momento em que tudo isso tenha o curso normal, seja aprovado pelo Congresso todo esse conjunto de medidas, de que chegaremos nos próximos trimestres a retomar crescimento no Brasil… num ritmo que pode surpreender."


Dois meses depois, no dia 16 de agosto de 2016, o homem dos bancos em Brasília declarava sem meias palavras que "todas as indicações são de que haverá crescimento da economia e da arrecadação em 2017”. Na mesma ocasião, os jornais nos avisavam que o governo havia revisado a meta de crescimento para 2017 de 1,2% para 1,6% – àquela altura, contudo, o FMI já previa um crescimento de apenas 0,5% para o mesmo ano!

Mas para o incansável Meirelles, não havia tempo ruim. Apenas uma semana depois, voltou a público para cravar: “O PIB já mostrará crescimento no último trimestre [de 2016]… haverá, nessa esteira, a recuperação no consumo das famílias e nos investimentos – estes tendem a reagir mais rápido.”

E assim se sucederam muitas e muitas falas do ministro, sempre rolando escada acima, enquanto o Brasil seguia ladeira abaixo. No início de novembro disse que o crescimento de 2017 traria como “consequência natural e inevitável” a retomada do emprego. Em dezembro, diante dos sinais de queda do nível de atividade e já ciente do irrealismo dos números que vinha apresentando, lançou mão de um recurso estatístico para anunciar sem rubor que “no último trimestre de 2017 já estaremos atingindo uma taxa anualizada de 2,8%”.

Enfim, é esse o sujeito que movido pela ambição de ser presidente da República e apoiado pelo mercado financeiro continua dando os seus pitacos irresponsáveis enquanto a economia faz água. 

É esse sujeito que apenas um mês atrás, às vésperas da publicação do IBC-Br indicando queda de 0,5% do PIB em maio, foi capaz de afirmar que “não há, no momento, sinais de que tenha havido reversão na trajetória de crescimento”. 

É esse mesmo sujeito que no dia 11 de julho disse que “o ciclo de crescimento é para valer, não é um crescimento circunstancial, baseado numa bolha de crédito (…). Ao contrário, leva ao crescimento do investimento” e, por fim, nos brindou na sexta-feira passada (21) com a afirmação de que “o importante é manter o equilíbrio fiscal, o emprego e as perspectivas de crescimento”.

Ar-ra-sô! Mas do que será que ele está falando?

Os investimentos estão no pior patamar dos últimos 15 anos, tão deprimidos que nem sequer serão capazes de cobrir a depreciação do capital; as contas fiscais estão derretendo, com perspectivas de um déficit superior a R$ 170 bilhões ao final do ano, enquanto um colapso nos serviços públicos se avizinha; o PIB per capita deverá cair 0,5% em 2017, pelo quarto ano consecutivo, e o mercado de trabalho permanece no seu pior patamar histórico, com 14 milhões de desempregados e outros 12,5 milhões de trabalhadores subocupados.

Para quem fala o Henrique Meirelles? (Fundação Perseu Abramo)

2 comentários:

  1. Com a grana que tem, se comer côcô, vai dizer que o prato tem aroma exótico.

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  2. Com a grana que tem, se comer côcô, vai dizer que o prato tem aroma exótico.

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