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Indicadores mostram que recuperação econômica está distante




Ana Luíza Matos de Oliveira

O Boletim de Conjuntura do Dieese de julho que traça um panorama para a economia brasileira no ano e questiona a pretensa recuperação econômica defendida pelo governo Temer, pois não há indicadores que deem garantias de que o ciclo recessivo chegou ao fim.

Depois de 11 trimestres consecutivos (2 anos e 9 meses) em queda (queda acumulada de 8,7%), o Produto Interno Bruto (PIB), com ajuste sazonal, registrou no primeiro trimestre de 2017 aumento de 1,0% em comparação com o quarto trimestre de 2016, muito devido ao crescimento do setor agropecuário. Apesar do ligeiro crescimento, analistas apontam que, se o Brasil voltar a crescer com a mesma velocidade com que decresceu nos últimos 2 anos e 9 meses, retornará ao nível do PIB de 2014 somente no início de 2020.


Os analistas mostram que o investimento recuou 1,6% em relação ao fim de 2016 e 3,7% se comparado ao primeiro trimestre de 2016. Desde o terceiro trimestre de 2013, o investimento regrediu 29,8% e, em 2016, teve a taxa mais baixa desde 1996. Já o consumo, que representa cerca de 65% de todos os gastos realizados, também está em queda: houve queda de 1,9% no consumo das famílias em relação ao início de 2016 e de 0,1%, na comparação com o fim do ano; os gastos do setor público também recuaram 1,3% e 0,6%, respectivamente. Portanto, todos os componentes da demanda interna (consumo das famílias, investimentos e gastos do governo) estão em queda.

A análise traz os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada em regiões metropolitanas selecionadas, que mostra que a taxa de desemprego total ficou praticamente estável em todas as regiões pesquisadas, de abril para maio, enquanto a taxa de desemprego entre os jovens entre 16 e 24 anos aumentou em todas as regiões pesquisadas. Por outro lado, o tempo médio despendido pelos desempregados na procura por trabalho aumentou nas regiões metropolitanas de Salvador, São Paulo e Porto Alegre. Conclui o Dieese que alguns indicadores se estabilizaram em nível ruim e outros continuam a piorar.

Ao mesmo tempo, o ritmo de queda da taxa de juros está abaixo do que poderia e deveria ser considerando o recuo da inflação. Devido à brutal taxa de desemprego e à queda na renda, as expectativas futuras sobre o comportamento dos preços são de redução acelerada, o que leva ao aumento das taxas de juros reais. (Fundação Perseu Abramo; foto - Tânia Rego/Agência Brasil)

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