quarta-feira, 5 de julho de 2017

Brasileiro vive de "bicos"


A taxa de desocupação foi estimada em 13,3% em maio de 2017, permanecendo relativamente estável em relação ao que foi apresentado em 2017 até o momento. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando a taxa foi estimada em 11,2%, o quadro foi de elevação (2,1 pontos percentuais). Essa foi a maior taxa de desocupação para um período terminado em maio desde o início da série da pesquisa, em 2012. Infelizmente, ainda levará algum tempo para que o mercado de trabalho se recupere da crise, na realidade, será uma das últimas variáveis macroeconômicas a mostrar resposta à recuperação da atividade econômica.


O que chama mais atenção nesse número são os detalhes, envolvendo as pessoas empregadas (população ocupada, na terminologia do IBGE). Desde os primeiros efeitos da crise sobre o mercado de trabalho, a população ocupada com carteira de trabalho (emprego formal) caiu consideravelmente, enquanto as pessoas que trabalham por conta própria (vivem a base de "bicos", autônomos), têm crescido muito: em maio de 2014, havia 21,08 milhões de pessoas trabalhando dessa forma, enquanto maio de 2017, 22,37 milhões. 

Em 2017, entre abril e maio, a população que trabalha por conta própria cresceu 0,4%, mas ao comparar o número de maio com o mesmo mês do ano anterior, observa-se uma queda de 2,6%. Isso pode ser um bom sinal se for analisada a população que se intitula empregador (trabalha explorando o seu próprio empreendimento, com pelo menos um empregado): aumentou em 9,3% entre 12 meses. Ou seja, muita gente está se ocupando ao abrir empreendimentos.

Pontua-se que a agricultura, construção civil e indústria foram os ramos que mais perderam trabalhadores, e não tiveram nenhuma reação até o momento.

O rendimento médio real efetivo do trabalho principal foi de R$ 2.047, um aumento de 1,4% ao comparar com maio do ano passado, o qual mostra que em alguma medida, os rendimentos nominais estão aumentando mais do que a inflação. (Francisco Lira/Lafis Consultoria)

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