sexta-feira, 23 de junho de 2017

O jovem e as velhas ideias


Dia desses conversei com um jovem publicitário, bem informado, que vive, como muitos ligados a esse segmento profissional, de frilas, pequenos trabalhos, que, como disse, lhe pagam a gasolina e a cerveja. 

Em certo ponto da conversa, não lembro por que, ele fez a seguinte observação, que suscitou um interessante debate entre nós:

- Estou percebendo que você é um liberal...

Como neguei de imediato e com veemência, o papo enveredou para a política, tema geralmente limitado, atualmente, a algumas poucas, breves e ofensivas frases: " Você não passa de um petralha" e "fora, Temer" são as mais usuais.

Nós, porém, começamos a falar sobre a política em geral, e mais especificamente, sobre determinados aspectos da sociedade brasileira. 

O jovem perguntou se eu conhecia o Partido Novo.

"Já ouvi falar", foi a minha resposta.

Ele então contou que ingressou na agremiação e que provavelmente seria um dos responsáveis pela sigla em sua cidade, Amparo, ao lado de Serra Negra, interior de São Paulo, onde moro.

A partir daí conversamos alguns bons minutos sobre carga tributária, tamanho e funções do Estado, meritocracia, cidadania, essas coisas todas sem pouco valor prático num país onde a Constituição virou um livro jogado num canto qualquer da sala, a acumular poeira, bolor - e traças.

Do papo todo ficou a impressão de que mesmo os jovens mais inteligentes, preparados e bem informados, sofrem de um grave problema, que transcende a sua vontade: estão irremediavelmente contaminados pela ideologia dominante.

Sempre há exceções, é claro.

Mas a maioria não tem mais jeito, é incapaz de se libertar do pensamento de que aquilo que se considera a causa dos maiores males do Brasil é justamente a solução para os seus problemas, de forma geral um Estado indutor de crescimento econômico e redução das monstruosas desigualdades sociais que envergonham o país perante o mundo.

Partido novo, ideias velhíssimas, daquelas que, se aplicadas, vão fazer o jovem publicitário amparense ficar até sem ter como pôr gasolina em seu carro e tomar as suas cervejinhas.

Mas talvez ele tenha salvação: diz que se horrorizou com a informação de que Luciano Huck se filiou ao tal partido e deverá ser candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro.

Até os liberais têm os seus limites. (Carlos Motta)

2 comentários:

  1. Já nasci com a sindrome de São Tomé: "só vendo pra crer". Graças a isso, muita baboseira deixei de engolir quando era jovem, inesperiente e com a mente em formação. Hoje me lembro quantos canalhas tentaram se aproveitar disso para me usar. Pobres dos jovens que absorvem os mantras da direita perversa e criminosa. "Petralha", "Mercado Resolve", "Ponte para o futuro","Bolivariano", "Chuva de investimentos" "Pagar o pato"...são alguns dos mantras atuais. Pobre do jovem que cair nessa.

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  2. Enquanto isso o Presidente da Safadolândia, se encontra com o Rei da Suecia, no País onde o Brasil venceu sua primeira copa do mundo: a Noruega, enquanto o Presidente dos Estados Unidos da União Soviética(é isso mesmo) se esconde do colega pro Mouro não dizer que a mala ficou com êle.
    Anônimo, diretamente do hospício para o segundo clichê.

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