sexta-feira, 12 de maio de 2017

Não dá mais para a ultraesquerda brincar de revolução

O jornalista Breno Altman publicou um artigo no Facebook criticando setores da "esquerda da esquerda" que deram com os burros n'água ao acreditarem que sairiam fortalecidos com a queda do governo Dilma. 

No texto ele diz ainda que um ano depois do golpe fica cada vez mais evidente que não há outra saída para o campo progressista do que entender que, neste momento, "somente é possível enfrentar de verdade o governo usurpador a partir de uma coalizão político-social com o PT e Lula".

O artigo recebeu elogios e críticas, essas, evidentemente, de pessoas ligadas aos setores de ultraesquerda que veem não na direita, mas no PT, seu maior inimigo.

De qualquer modo, a discussão é válida neste momento.

E o texto de Altman, importante.

Aí vai ele:


Mato sem cachorro

Um setor da esquerda, que se auto-identifica como a esquerda da esquerda, habitando organizações como o PSOL, o PSTU, o PCB e outras menos afamadas, está vivendo seu inferno astral.

A aposta que fazia, com diferentes graduações, é que a derrubada do governo Dilma, a Operação Lava Jato e as eleições municipais de 2016 representavam sinais do inevitável ocaso do PT e de Lula.

Até algumas frações petistas foram contaminadas por esse diagnóstico, a bem da verdade.

A conclusão: apesar da ofensiva conservadora, o espaço estaria aberto para o 
florescimento de uma nova alternativa no campo popular.

O entusiasmo com essa possibilidade levou vários porta-vozes e lideranças desse setor a fazer do petismo seu principal inimigo.

Deram com os burros n'agua. E se debatem em mar revolto, afogando-se em suas próprias análises.

O fato é que a agenda do governo usurpador, depois de um ano, vai forçando o pêndulo à esquerda, mas o depositário desse giro é novamente o PT.

Mais que o PT, a candidatura de Lula.

São as forças historicamente alinhadas ao petismo, majoritariamente agrupadas na Frente Brasil Popular, mas também na Frente Povo Sem Medo, que comandam a resistência contra o golpismo e suas reformas.

Foram essas forças que constituíram a coluna vertebral da greve geral do dia 28 de abril.
São para essas forças, e para Lula, que as massas trabalhadoras olham em busca de esperança e direção.

Apesar de todos os erros, que não foram poucos, e dos problemas, que muitos são.
A polarização é tão extrema que há menos espaços agora, para opções fora do campo petista, que em qualquer outro momento dos últimos quinze anos.

Somente é possível enfrentar de verdade o governo usurpador a partir de uma coalizão político-social com o PT e Lula.

As cabeças mais sérias e menos sectárias dessa esquerda da esquerda já se deram conta disso, adotando políticas e iniciativas frentistas com o petismo.

O resto está em um mato sem cachorro.

Deu tudo errado em suas previsões e correm o risco, se permanecerem em seu antipetismo, de vivenciarem um insuportável grau de isolamento social, a partir do qual serão objetivamente vistas como aliados do golpismo e da direita.

Afinal, não há saída para a classe trabalhadora, nesse momento histórico, como diria o líder comunista George Dimitrov, fora da frente popular.

Com o PT e Lula, não contra o petismo.

Um comentário:

  1. As pessoas conscientes desse Pais, precisam se convencer, que êsses golpistas não vão fazer nada pelo Brasil. Apenas para seus prôprios interêsses. São extremamente unidos, organizados, cínicos e sem qualquer escrupulo. Sabem o que querem.Só largam o osso em duas hipótese: ou quando arrasarem com tudo(remember terremoto tucano), ou se todos se unirem contra êles.Do contrário, vão tirando proveito e jogando conversa fora. A midia está ai pra isso.

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