Pular para o conteúdo principal

O tamanho do desastre: 34% dos consumidores estão no vermelho


Um novo indicador do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), denominado Uso de Crédito e de Propensão ao Consumo, que busca reunir dados sobre a evolução da utilização de crédito e consumo em geral pelos consumidores, revela a a grandiosidade do desastre provocado pelos golpistas na economia brasileira. 

Ele aponta que 58% dos consumidores pretendem cortar gastos no mês de março, enquanto 31% afirmam que vão manter os gastos e somente 5% disseram que vão aumentá-los. O levantamento também mostra que mais de um terço dos entrevistados (34%) estão no vermelho, ou seja, não conseguiram pagar todas as contas em fevereiro. Quase metade (49%) estão no zero a zero - sem sobras e sem falta de dinheiro - e 15% estão com sobras, sendo que 11% pretendem guardar o excedente e 4% querem gastar.


Entre os itens que os consumidores pretendem comprar no próximo mês estão os de farmácia (33%), recarga de telefone (28%), vestuário (27%), perfumes e cosméticos (21%), e serviços de salão de beleza, citados por 11% dos entrevistados.

43% dos consumidores utilizaram algum tipo de crédito em janeiro. O cartão de crédito é o meio mais utilizado

O estudo também busca medir, numa escala de zero a 100, a utilização de crédito pelos consumidores no mês anterior à pesquisa, sendo considerados empréstimos bancários, financiamentos, cartões de crédito, de loja, crediários, e limite do cheque especial. Quanto mais próximo de 100 estiver o indicador, maior o uso do crédito; quanto mais distante, menor o uso. No mês de fevereiro, foram registrados 27,9 pontos. Em termos percentuais, 43% dos consumidores disseram ter utilizado algum tipo de crédito em janeiro, sendo que o cartão de crédito foi a modalidade mais utilizada pela maioria (39%, com gasto médio de R$ 805,73), seguido de cartão de loja e crediário (14%, com gasto médio de R$ 336,37) e limite do cheque especial (6%). Houve também utilização de empréstimos (5%) e financiamentos (3%), modalidades com critérios de concessão mais rigorosos.

Com o desemprego em alta, gastos considerados supérfluos ficaram em segundo plano. Entre aqueles que utilizaram cartão de crédito, a maioria o fez uso para itens de necessidade: 57% para alimentação ou supermercado, 45% farmácia ou remédios, 34% itens de vestuário, 29% para combustível.

Entre os que utilizaram crediário, os itens mais adquiridos foram de vestuário (42%), alimentos (24%), eletroeletrônicos (10%) e eletrodomésticos (8%) - geralmente as lojas oferecem crediários por meio de carnê ou cartão da própria loja para os itens citados, por isso eles se destacam nestas modalidades.

Já entre os que possuem financiamentos, 20% utilizaram para comprar carro, 17% para eletrodomésticos, 9% para apartamento, 9% faculdade e 9% também para móveis.

Com relação ao acesso ao crédito, 46% dos entrevistados disseram ter cartão de crédito, 28% possuem cartões de loja ou crediário e 19% têm cheque especial à disposição. Também são citados empréstimos (17%) e financiamentos (18%), ambos com parcelas em aberto.

Comentários

  1. É prezado Motta. As nuvens cinza, se tornaram negras e ameaçam temporais jamais vistos por essas bandas.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…