quinta-feira, 30 de março de 2017

O maior perigo para o Brasil


O maior perigo para o restinho de democracia que o Brasil tem não é o seu simulacro de Judiciário, nem os políticos corruptos até o fundo da alma, nem a sua polícia política ou a monumental máquina de propaganda disfarçada de imprensa que dita o pensamento único. O maior mal que ronda esse mínimo de liberdade oferecido ao povo brasileiro é a ascensão ao Executivo central de um "outsider", um salvador da pátria, um novo Collor, o caçador de Marajás, enfim.

Há anos que a oligarquia vem preparando o terreno para que isso ocorra, com uma campanha incessante de criminalização da política, perseguição implacável às lideranças do maior partido progressista, e, por fim, o golpe que trocou uma presidenta honesta, eleita com 54 milhões de votos por um anão moral que tem como única tarefa sepultar todos os avanços sociais conseguidos, com muito esforço, na última década.


No momento, a ameaça se chama Dória, João, o almofadinha que se elegeu prefeito de São Paulo, o "gestor", o "trabalhador", o fabricante de factoides diários, que exerce o cargo como se estivesse num baile à fantasia.

Não por acaso Dória está sendo aclamado pelos seus pares, seus iguais, o 1% do povo brasileiro que se julga "homens de bem", como a grande esperança para que o Brasil fique eternamente à sua imagem e semelhança, eles, o topo da pirâmide social, no controle de absolutamente tudo, e o resto, a imensa maioria, vivendo - ou sobrevivendo - na ilusão de que algum dia, quem sabe, graças a muito, mas muito esforço, alguns poucos, pouquíssimos, deixem a miséria para trás.

Dória é o candidato a ser batido pelo campo progressista.

Ele tem dinheiro, tem apoio de quem tem dinheiro, é frio e calculista, sabe perfeitamente onde quer chegar, e até agora a sua estratégia não tem apresentado erros: ataca sem dó o inimigo, conta com a cobertura da totalidade dos meios de comunicação, é vendido como o novo, o honesto, o homem que deixou de lado uma bem sucedida carreira de empresário para se dedicar ao "povo".

Se as esquerdas pensam em ter alguma chance de sucesso em 2018 devem, desde já, começar a combater tal adversário e não subestimá-lo, tratá-lo como uma piada ou como um acidente que dificilmente tornará a ocorrer.

Dória é uma certeza tão grande para a direita que já começam a surgir imitadores, todos, como ele, se apresentando como não contaminados pelo lixo da política, e puros como os santos de pau oco. (Carlos Motta)

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