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O jornalismo sem jornalistas


Não me lembro de quantas vezes me emocionei com o relato, nas redes sociais, de ex-companheiros de redação que estão sem emprego, vítimas da selvageria de um sistema econômico que desrespeita os mais básicos direitos dos trabalhadores e demonstra uma crueldade doentia.

Demitir uma pessoa é um dos atos de maior violência que um ser humano pode cometer contra outro.

Essa atitude comporta dois tipos de agressão, a psicológica, por rebaixar a pessoa à categoria de cidadão de segunda classe, e a física, pois, em muitos casos, o trabalhador demitido que não consegue um novo emprego fica privado até mesmo de meios para a sua subsistência.

Jornalistas, em geral, são vistos pelo público como privilegiados que exercem uma profissão glamourosa e bem remunerada.

Talvez o estereótipo sirva para uns 5% da categoria.


Na verdade, uma redação, qualquer uma, é tocada pela "peãozada", aqueles profissionais que se matam em jornadas de 12 horas, trabalham aos sábados, domingos e feriados, topam qualquer parada, estão 24 horas à disposição das chefias - e ganham, quando muito, um salário de classe média.

Todos esses ex-colegas que perderam o emprego nestes últimos anos se enquadram nesse perfil, com um detalhe: são excelentes no que fazem, experientes e especializados em temas que demandam muito tempo para serem dominados.

Contra eles pesa ainda o fato de que bons jornalistas não costumam se dar bem em outras profissões, justamente porque investiram todo o seu esforço, físico e intelectual, naquilo que gostam de fazer.

O resultado desse movimento patronal de enxugar ou "renovar" suas redações deu como resultado aquilo que vemos hoje em qualquer um dos jornalões ou portais de notícias da internet: se não o fim do jornalismo, ao menos a sua redução a algo como um panfleto de propaganda mal escrito, primário na forma e no conteúdo, e beirando a idiotice.

Por tudo isso lamento por ver ao que foi reduzida uma profissão à qual dediquei toda a minha vida, e principalmente, pelo sofrimento imposto a tanta gente boa, que não merecia ser tratada dessa forma pelos seus empregadores. 

Força, pessoal, força. (Carlos Motta)

Comentários

  1. É moleza ser empresário nesse País! Basta entrar pra quadrilha e usar o aparato bélico anti-trabalhador para ficar rico. É sopa no mel. É sentar no pudim. É tirar bala de criança.Covardes!

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  2. Motta, é deprimente ver que as mudanças ocorridas nas redações dos jornalões e portalões tiraram o caráter jornalístico das matérias, do material produzido. Os interesses são outros. E um jornal sem fazer jornalismo não precisa de jornalista. E rua!

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