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O Brasil de ponta-cabeça


Quando um político como Paulo Maluf diz, com todo o cinismo que acumulou em décadas de vida pública, que não está na lista de Janot nem no mensalão, aquilo que era uma suposição se transforma numa certeza: o Brasil está de ponta-cabeça.

A folha corrida de Maluf é notória - e ele, de tanto óleo de peroba que já usou, nem se preocupa mais em escondê-la.


Mas seu passado pouco importa: Maluf, como proclamou em alto e bom som, não foi delatado, e assim, conseguiu um valioso atestado de bons antecedentes.

Certo que vários outros Malufs que frequentam as casas legislativas Brasil afora também não foram alvo dessa horda de alcaguetes que, de um momento para outro, invadiu os fóruns, as delegacias de polícia e o noticiário dos jornalões.

Hoje, no Brasil, ser dedo-duro é o máximo.

O X-9 virou sinônimo de gente boa, pois afinal, ele, que errou, que pecou, que roubou, não só se arrependeu de seus crimes, mas ajuda a polícia a ir atrás de tipos como ele.

E graças a esse bando de caguetas, as autoridades, os doutores, os meritíssimos, estão livrando o Brasil da praga da corrupção.

Lugar de bandido é na cadeia.

O destino de Maluf e seus semelhantes, porém, é outro, já que eles estão livres e felizes, como homens de bem que são.

A hipocrisia descobriu um porto seguro e um solo fértil neste Brasil de ponta-cabeça. (Carlos Motta)

Comentários

  1. Abaixo a pederastia cinico-hipocrita-neoliberal-capitalista-golpista e adoradora da pemba sagrada de Frei Serapião. Fora!

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  2. Maluf não desiste. Se bobear será o "candidato laranja" do Psol.

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  3. o Pelé da corrupção...

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