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Banco Mundial sugere fortalecimento do Bolsa Família


Estudo recente do Banco Mundial argumenta que o aumento do orçamento do Programa Bolsa Família (PBF) pode ser fundamental para impedir o ingresso de mais brasileiros na pobreza, dada a crise econômica. Como os salários são a principal fonte de renda das famílias pobres e vulneráveis, a crise põe em risco os avanços do Brasil em redução da pobreza e desigualdade. Ao contrário da tendência da década de 2000, em que, segundo o relatório, o Brasil “alcançou reduções impressionantes nos níveis de pobreza”, esse problema tem aumentado.


O estudo aponta que a pobreza deve ampliar-se mais em áreas urbanas e menos em áreas rurais (onde os índices já são mais elevados) e que as pessoas empurradas para a pobreza pela crise atual tendem a ser ligeiramente mais jovens, qualificadas, localizadas em áreas urbanas e no Sudeste, costumavam trabalhar no setor de serviços e são, principalmente, brancas. Assim, seria necessário que o programa funcionasse como uma “rede de segurança, flexível o suficiente para estender sua cobertura às famílias que ficaram pobres recentemente devido à crise”. O PBF precisaria ser adaptado à nova realidade do país.

No entanto, o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, criticou o estudo e afirmou que “não temos ninguém hoje que precisa fora do Bolsa Família”. Absurdamente, o ministro afirmou que a informalidade no mercado de trabalho é principalmente causada pelo Bolsa Família: “Hoje, o Bolsa Família é uma causa importante, senão a maior, da informalidade do mercado de trabalho porque as pessoas morrem de medo de perder o Bolsa Família se arrumarem um emprego. E, se arrumam um emprego, não querem assinar carteira”. 

Se o Bolsa Família é causa principal da informalidade, falta ao ministro explicar por que o Brasil tem historicamente altos índices de informalidade no mercado de trabalho, mesmo antes do surgimento do programa. (Ana Luíza Matos de Oliveira, economista/Fundação Perseu Abramo)

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