quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O golpe melhorou a sua vida?

A pergunta que todos deveriam fazer a si mesmos neste momento trágico da vida nacional é: no que o golpe que afastou a presidenta Dilma melhorou a minha vida?

Várias pesquisas indicam que pouquíssimos julgam o governo do Dr. Mesóclise e seu bando de picaretas bom e ótimo - a maioria o reprova.

Assim sendo, presume-se que a vida está hoje pior do que antes para a maior parte dos brasileiros, não importa a sua condição social e econômica.

Os mais pobres, se ainda não sentem integralmente as consequências dos pacotes de maldades lançados pelos usurpadores, em breve saberão, em sua plenitude, o que é o tal "Estado mínimo" apregoado como o suprassumo da modernidade.

À classe média, esse estrato que alegremente enfeitou as ruas de verde e amarelo, enfeitiçada pela propaganda contra tudo aquilo que se assemelhasse ao campo da esquerda, o governo do Dr. Mesóclise reservou surpresas que o tempo se encarregará de revelar, especialmente nas sensíveis áreas da educação, saúde, habitação, transportes - para não falar na tão sonhada aposentadoria.

O golpe tem sido amargo até para os ricos.


Não que todos eles estejam se lamentando da besteira que fizeram ao patrocinar a aventura.

Mas há muitos que hoje devem estar, se não arrependidos, ao menos fazendo as contas de quanto perderam desde que iniciaram o movimento para sabotar o governo Dilma.

As montadoras de veículos, por exemplo, que choram uma queda de 20% na venda de seus produtos no ano passado, em relação ao já fraco 2014.

Ou o presidente do Grupo Riachuelo, um dos mais entusiasmados defensores do capitalismo sem riscos, sem leis trabalhistas, sem direitos para os funcionários, sem nenhuma proteção às camadas mais vulneráveis da população.

Flávio Rocha - esse é o seu nome - chegou a dizer que, deposta Dilma, a volta dos investimentos seria instantânea.

O último balanço de sua empresa de varejo demonstrou que sua afirmação não passava de uma sandice: o lucro caiu quase pela metade!

Se a situação não está boa nem para os ricos - com exceções, sempre é bom repetir -, o que dirá dos analistas profissionais que saudaram com fogos de artifício a chegada ao poder do bando de picaretas, assegurando que eles iriam corrigir, num piscar de olhos, todos as trapalhadas e incompetências dos trabalhistas?

Um de seus luminares, o sr. Mailson da Nóbrega, aquele ministro da Fazenda que se notabilizou por elevar a inflação mensal à casa dos 80%, afirmou outro dia que "todo mundo errou sobre o pós-Dilma".

Frasista medíocre, na mesma proporção de seus atributos intelectuais, Mailson errou mais uma vez.

Nem todo mundo se enganou sobre o que viria depois da deposição da presidente Dilma. 

Inúmeros acadêmicos, jornalistas, economistas, líderes sindicais e de associações de classe, muitos, mas muitos mesmo, sabiam que os golpistas fariam o que de fato estão fazendo, que é acabar com qualquer possibilidade de o Brasil se transformar numa nação civilizada.

Apenas o sr. Mailson da Nóbrega e os de sua laia, notáveis entreguistas, venderam a ilusão de que exterminar o Estado de bem-estar social que se construía no país seria a panaceia para todos os males.

O golpe, nesse sentido, tem sido revelador, ao expor à opinião pública a imbecilidade e canalhice que muitos conseguiram camuflar até então. (Carlos Motta)

Um comentário:

  1. Já tinha me esquecido do Cabecilson de Abobrega. Essa droga voltou. Ninguem merece! Desgraça pouca é besteira. Valhei-me meu São Benedito.

    ResponderExcluir