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O Brasil decapitado


Meses depois de cair nas mãos dos golpistas, o Brasil virou isso que se lê ou vê nos noticiários, por mais que eles queiram apresentar o mundo em cores com tons suaves: um país governado por uma cleptocracia, submetido a todo tipo de violência, sem perspectivas de superar, mesmo a longo prazo, uma grave recessão econômica, e prestes a extinguir todos os instrumentos de proteção às camadas mais pobres.

Os massacres quase diários nas prisões medievais que envergonham a nação perante a porção civilizada do planeta são o retrato sem retoques do que o Brasil se transformou depois do assalto promovido pelos golpistas: um imenso Haiti, uma Libéria continental, uma terra arrasada pela ambição de uns poucos.

Como nação, o Brasil acabou.

Como Estado, pouco sobrará.

De agora em diante, tal a inação de seu povo e a ganância de sua oligarquia, se verá tão somente a aceleração do desmonte do incipiente Estado de bem-estar social construído pelos trabalhistas para cumprir os preceitos da Constituição de 1988, e a agudização da miséria, dos mecanismos repressores, da entrega das riquezas ao estrangeiro, e das desigualdades sociais e econômicas.

Os horrendos relatos e imagens dos motins dos presos têm um significado muito mais amplo que o enorme problema judiciário que sugerem.

Revelam uma sociedade doente em vários sentidos, que abriga desde um sistema educacional incapaz de formar cidadãos minimamente imbuídos de noções civilizatórias básicas, até um Poder Judiciário divorciado da realidade, incompetente e corrompido.

As decapitações, monstruosas, são mais que a demonstração do mal em seu estado puro.

São a consequência da secular dominação de um povo inteiro pela mais perversa e ignorante "elite" - esses endinheirados de sempre que não têm vergonha de expor ao mundo todo a sua alma devassa. Carlos Motta)

Comentários

  1. Me calo e nada acrescento à verdade incontestável. Apenas revelo o mêdo do que está por vir, e da cegueira estulta dos responsáveis pela baderna que se aproxima. Que sejam êles as primeiras vítimas.

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