quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Brasil, ame-o ou deixe-o


Duas mulheres, acadêmicas, expressaram publicamente nesta semana o sentimento de muitos brasileiros de que o país foi tomado por um bando de corruptos, ladrões, entreguistas e picaretas da pior espécie.

As duas são Helena Nader, presidenta da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC), e Mara Telles, professora de pós-graduação da Universidade Federal de Minas Gerais.

Para elas, como para tantos outros cidadãos, o Brasil acabou:


“Eu estou muito chateada, sabe? Estou com idade suficiente para pendurar as chuteiras. Não sei porque que eu continuo ainda lutando nesse país. Oferta de emprego no exterior, eu sempre tive. Muitas. Agora eu estou ficando cansada e estou com vontade de recomendar aos jovens: saiam deste país." (Helena Nader)


"Depois do Apocalipse de 2016 eu reduzi ao mínimo minhas expectativas sobre a qualidade moral do Brasil, dos seus políticos e dos brasileiros. Eu passei a me importar menos e a me estressar menos com as pequenas grandes fantasias noticiadas pelas imprensas. Eu passei a dar de ombros aos vizinhos que me veem todos os dias no elevador e nunca dão Bom Dia. Eu deixei de estranhar que mesmo os homens de esquerda não pagam pensão aos filhos e passei a não ver mais os moradores que inundam as ruas. Eu já nem ligo mais a News, que insiste em fingir que não vê a economia destroçada. E ao fim, eu deixei de acreditar que qualquer coisa possa em breve mudar. A gente vai se anestesiando para tentar sobreviver e não morrer de angústia. Minhas expectativas hoje são mínimas: eu atualmente toparia voltar a acreditar num país qualquer se os habitantes dele se indignassem com os mais de uma centena de pessoas massacradas, decapitadas e degoladas em presídios com o mesmo furor com o qual berraram contra uma mulher que Pedalava. Um país em que seus habitantes se indignassem furiosamente contra o genocídio de cidadãos da mesma maneira com que se revoltaram contra a Copa e a Corrupção. Mas, este povo indignado não existe e aqueles que poderiam se indignar preferem postar gatinhos ou fazer selfies bonitinhos em Passárgada, enquanto esperam o carnaval chegar. Para sobreviver no Brasil é preciso mais que siso: é preciso desistir do Brasil, é preciso acabar com qualquer expectativa positiva, para se viver nele." (Mara Telles)

Triste, muito triste...

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