quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O nosso Papai Noel puído


Um ou outro excetuado, Papai Noel continuou vermelho neste ano.

Não adiantaram os apelos de uma minoria idiota, aquela que diz que a bandeira do Brasil nunca será vermelha - como se alguém quisesse mudar a sua cor... -, para que o "bom velhinho" se vestisse de azul, verde-amarelo, ou outra cor qualquer.

Papai Noel é um símbolo universal, criado para inspirar algo que a humanidade não pratica no ano todo - a fraternidade, principalmente -, e que serve, é claro, para impulsionar os desejos de consumo de nossa sociedade capitalista.

Mas pesando na balança, ele faz mais bem que mal.


Assim como esta época do ano, de intensos apelos à reflexão, de vigorosas promessas para que tudo seja diferente no futuro, Papai Noel nos faz pensar em várias coisas - em como, por exemplo, a hipocrisia e o cinismo vêm dominando as emoções do homem.

Certo que o Brasil vive tempos extraordinários, que demorarão muito para ser esquecidos.

Mas também é correto dizer que essas pessoas que tanto fizeram para "chegar lá", desprezando qualquer noção ética ou moral, e que hoje têm a responsabilidade de ditar os rumos de nossa sociedade, ignoram completamente o celebrado espírito natalino, e mesmo princípios humanitários comezinhos.

Está aí o Dr. Mesóclise que não nos deixa mentir.

Em pleno Natal vem ele anunciar que uma das maiores conquistas do povo brasileiro, a Consolidação das Leis do Trabalho, nossa conhecida CLT, em breve será letra morta, valerá menos que as ridículas construções verbais que ele usa para informar a escumalha sobre as perversidades que planeja.

O Dr. Mesóclise e o bando de picaretas que o rodeia, a maioria da população já compreendeu, são seres abjetos, meros executantes de tarefas odiosas para as quais foram designados por quem realmente manda nesta terra tropical - os endinheirados de sempre.

Mesmo assim, a bem da eficiência de sua tenebrosa missão, eles poderiam, ao menos, respeitar Papai Noel, e adiar para o emocionante e inevitável 2017, a revelação de que, daqui em diante o Brasil, esta imensa nação, abandonará qualquer projeto de se tornar uma terra civilizada e seus habitantes terão de se conformar em ser dóceis burros de carga.

Nos próximos anos Papai Noel ainda deverá vestir vermelho, mas sua vestimenta certamente não terá o brilho de sempre - manchas e rasgões vão se sobressair e marcar seu novo figurino, mais adequado às condições deste sempiterno país do futuro. (Carlos Motta)

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