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O ano em que o Brasil deixou de existir


O ano de 2016 será lembrado para sempre nos livros da história do Brasil - eles ainda existem?

Daqui a décadas, os estudantes - eles existirão? - que porventura se interessarem por saber como era o país em que nasceram, certamente vão esbarrar nesse ano especial de 2016, o ano em que o Brasil deixou de existir como nação soberana, civilizada, democrática e quase potência mundial.

Pois 2016 foi isso, para resumi-lo: o ano em que o Brasil abdicou de sua independência para se tornar uma colônia do grande "irmão" do Norte e serva do capital internacional.

2016 marca a ruptura definitiva do Brasil nação, do país que se projetava globalmente como protagonista, que reduzia as imensas desigualdades sociais e econômicas de seu povo, e aspirava se tornar uma espécie de Suécia tropical.

É isso: a pretensão agora é transformar o Brasil numa imensa Libéria, uma gigantesca Etiópia, um diversificado Paraguai, um Porto Rico de dimensões continentais.

Os donos do poder, os endinheirados de sempre, não abrem mão de seu projeto secular: este é um país cujas riquezas pertencem - e pertencerão ad eternum - a uma ínfima minoria, os moradores da Casa Grande, adulados e servidos por uma massa de centenas de milhões de inquilinos da Senzala.

2017 não vai ser muito diferente de 2016.

Talvez aprofunde ainda mais as "reformas" que os plutocratas estão promovendo, a toque de caixa, para desmantelar o mínimo Estado de bem-estar social preconizado pela Constituição de 1988 e promovido pelos governos trabalhistas.

Como se dizia tempos atrás: "Está tudo dominado."

A esperança cedeu lugar a um conformismo bovino.

A manada se comporta como querem seus donos: sem sobressaltos nem surpresas.

Está quase tudo como sempre desejaram os homens de bem: cada um sabe qual é o seu lugar.

O Brasil Novo preserva a ordem, antes de tudo.

E reserva o progresso apenas àqueles que o merecem.

(Carlos Motta)




Comentários

  1. Não é bem assim prezado Motta. Como todo fim de ano, em consulta à meus guias, fui informado que brasilia(minusculo mesmo), encontra-se sob enorme carga negativa, em função do golpe. Essa energia costuma atrair eventos desagradáveis, que poderão ocorrer em 2017. Tais como: terremoto, inundação, ataque de abelha africana, epidemia de hernia escrotal nos mais idosos, andaço de estrabismo e cravo na sola do pé. Lamento pelos moradores daquela agradável metrópole, mas, tudo indica que em 2017, eles vão se fuder.

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  2. Sugiro mudar o nome do blog de Segundo Cliche para: Pavilhão A, Enfermaria B.

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