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Jornalistas paulistanos votam pela diminuição do salário


Os jornalistas da capital paulista resolveram ajudar os patrões e decidiram aceitar a proposta que concede à maioria deles um reajuste salarial de 4% retroativos à data base (1º de junho de 2016), e mais 4% a partir de janeiro, totalizando 8,16%, índice inferior à inflação. Ou seja, na prática aceitaram um rebaixamento salarial.

A proposta patronal foi posta em votação num plebiscito organizado pelo sindicato dos jornalistas. O resultado: 400 votos a favor da diminuição dos salários e 268 contra a proposta feita pelas empresas de jornais e revistas da capital.

O reajuste do piso salarial foi maior e, nominalmente, chega ao índice de inflação, 9,82%. 

Os principais pontos da proposta aprovada são os seguintes:


1 – Reajuste no piso salarial: parcelado em duas vezes, sendo 4,8% retroativos a junho último, e 4,8% a partir de janeiro de 2017, totalizando um reajuste nominal de 9,82%;

2 – Reajuste nos salários até R$ 13.472,16: parcelado em duas vezes, sendo 4%  retroativos a junho, e 4,8% a partir de janeiro de 2017, totalizando um reajuste nominal de 8,16%;

3 – Reajuste para salários acima de R$ 13.472,16: R$ 538,88 retroativos a junho último, e mais R$ 560,44 a partir de janeiro de 2017, totalizando R$ 1.099,32 de reajuste;

4 – Diferenças retroativas: pagas em até cinco parcelas, de janeiro a maio de 2017;
5 – Cláusulas econômicas: reajuste de cerca de 8%, válido a partir da assinatura do acordo. As cláusulas são as seguintes: 

- a multa pela ausência de Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) passa a R$ 735,48;

- o auxílio creche fica em R$ 444,53; 

- o vale refeição vai a R$ 11,90 (empresa com até 20 jornalistas) e R$ 17,80 (empresa com mais de 20 jornalistas). No caso do vale-refeição, mantém-se a fórmula de que o desconto máximo a ser feito nos salários dos jornalistas é de 20%, mas só para quem ganha até R$ 5.000 por mês. Acima disso, não há regras para o desconto.

O plebiscito foi realizado de 22 de novembro a 2 de dezembro no Estadão, na Folha, no Valor, no Diário de São Paulo, no Diário do Comércio, na Nova Escola, na sucursal do Globo, no Dedoc, nas editoras Abril, Três, Globo, Globo/Condenast, Caras e na agência Bloomberg. 

Segundo a diretoria do sindicato, a negociação deste ano foi "particularmente difícil, num contexto de crise econômica". Começou em junho, mas apenas em agosto os patrões entraram na discussão das cláusulas econômicas, propondo a renovação da Convenção Coletiva com reajuste zero. No fim de setembro, os patrões propuseram 3% de reajuste total, e, a partir de outubro, fizeram três propostas parcelando o reajuste em três vezes, bem aquém da inflação.

A proposta aprovada em plebiscito foi a sexta formalizada pelos patrões. No caso dos salários que recebem duas parcelas de 4%, o reajuste fica 3,8% abaixo da inflação, e permanece uma perda de 1,66 ponto percentual para o futuro. Para salários acima de R$ 13.472,16, a perda é tanto maior quanto maior for o salário.

A direção do sindicato defendeu de forma permanente, com diferentes fórmulas, a reposição da inflação para todos os salários, sem faixas nem distinções. A última contraproposta dos jornalistas, aprovada em assembleia, foi o reajuste de todos os salários em duas vezes: 6% em junho, 4% em dezembro. A última proposta patronal, por sua vez, foi formalizada pelas empresas desde que fosse submetida à votação.

No fim, o acordo puniu todas as faixas, causando perdas reais de salário. 

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