sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Banco Central erra ao reduzir a Selic em apenas 0,25 p. p.

Em nota divulgada pelo Copom, a autoridade monetária decidiu, por unanimidade, cortar a Selic em 0,25 p.p. Ou seja, a taxa básica de juros passa de 14% para 13,75% ao ano. Tal decisão se mostra extremamente deslocada da realidade da crise. Seguindo o cenário traçado pelo Banco Central, a inflação está em forte queda e as perspectivas são de convergência para o centro da meta em 2017. Desde o início de 2014, a economia já acumula contração de 8,4%, e não há sinais de que a crise tenha arrefecido. Na realidade, o PIB se retraiu 0,8% entre julho e setembro, o dobro da queda de 0,4% registrada no trimestre anterior, na série com ajuste sazonal. 

Neste processo, no âmbito da economia doméstica, a alta do desemprego, o forte endividamento de empresas e famílias, a grande capacidade ociosa da indústria e as contínuas frustrações de arrecadação nos diversos níveis do governo marcam a gravidade da crise econômica atual. 


Fatores externos também sobrepujam frentes para a retomada. Para além de fortes pressões de baixo dinamismo da demanda internacional, a eleição de Donald Trump adiciona um elemento crítico aos países em desenvolvimento. Quanto a esse último ponto, o comunicado do BC ressalta que “o aumento da volatilidade dos preços de ativos indica o possível fim do interregno benigno para economias emergentes. Há elevada probabilidade de retomada do processo de normalização das condições monetárias nos EUA no curto prazo e incertezas quanto ao rumo de sua política econômica”. 

Sem expectativa de retomada da demanda doméstica, das exportações e da capacidade de investimento do Estado, o investimento privado não tem motivos para reagir. Nesse sentido, uma redução mais contundente da Selic daria pelo menos um alento à crise. Projeções de inflação mostram que ela se encontra perto do teto da meta neste ano e ao redor do seu centro no próximo ano. Para 2017, o cenário de referência indica a inflação mensurada pelo IPCA em 4,4% e em 4,7% o de mercado. O Copom volta a se reunir entre 10 e 11 de janeiro de 2017. Espera-se um pouco mais de razoabilidade para entendimento da crise para além do fundamentalismo ortodoxo. (Igor Rocha, economista/Fundação Perseu Abramo)

Um comentário:

  1. Erra não. Acerta. Acerta mais uma cacetada na logica,no bom senso e na esperança do Brasileiro de sair logo desda crise.

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