Pular para o conteúdo principal

A inflação baixa e o pior dos mundos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, que mede a inflação oficial), de novembro variou 0,18% e ficou abaixo dos 0,26% de outubro. É o menor índice para os meses de novembro desde 1998, quando registrou queda de 0,12%. O acumulado no ano é de 5,97% - no mesmo período de ano anterior, ele era de 9,62%. Nos últimos 12 meses, a taxa é de 6,99%, abaixo dos 7,87% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores. Em novembro de 2015 o IPCA foi 1,01%. 
Uma boa notícia, esta?

Depende.

Se a gente olhar apenas os números, ótimo.

Mas se a gente for ver o que eles escondem, é uma tragédia.

Inflação baixa, num cenário recessivo, significa tão somente que a economia parou, as pessoas não têm mais fôlego para consumir, as empresas não têm para quem vender, e consequentemente, diminuem a sua atividade e demitem seus funcionários.

Claro que os golpistas vão dizer que, finalmente, a inflação está sob controle, e isso significa que eles são o máximo, que a equipe econômica é o "dream team" que todo país gostaria de ter.

Se o cenário fosse o inverso, com a atividade econômica em alta, um IPCA desses seria o melhor dos mundos.

Mas do jeito que o Brasil caminha, é apenas mais um sinal de que estamos nos aproximando cada vez mais do fundo do poço. (Carlos Motta)

Comentários

  1. No fundo do poço, os três poderes serão: o mendigativo, bebunlativo e a funerária.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…