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Reforma educacional, nas mãos dos bilionários

De acordo com o informativo “The Intercept”, a reforma da educação no Brasil está passando pelo crivo de bilionários brasileiros, representantes de fundações e de institutos de empresas privadas, como a Fundação Lemann, o Instituto Unibanco, a Fundação Itaú, o Instituto Inspirare, o Instituto Natura, o Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação (ICE), além do Todos pela Educação – um movimento que se diz plural e apartidário, mas que tem como presidente, Jorge Gerdau.

E isso ocorre porque os parlamentares que integram a comissão da MP 746 convidaram representantes dessas instituições para participar das audiências públicas para debater o tema (além de cientistas políticos, filósofos etc), deixando de fora a maioria dos que realmente deveriam participar: gestores educacionais, professores, estudantes. Somente após a pressão das manifestações de estudantes, professores e gestores educacionais é que foi dado mais espaço para essas representações na audiência. De um total de 57 convidados para o debate, apenas duas vagas são para representantes dos alunos  e nove para professores (anteriormente este número era de três).


Outra questão que o informativo destaca é o fato do MEC estar sob o comando de alguns dos representantes (ou pessoas formadas por) essas instituições – é o caso da Diretoria de Currículos e Educação Integral do MEC, comandada por Teresa Pontual, que foi bolsista da Fundação Lemann; ou da secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, que atualmente está à frente da reforma, e que é uma das sócias-fundadoras do “Todos Pela Educação”.

Enquanto isso, os alunos e alunas secundaristas seguem firmes nos protestos contra a MP 746 e contra a PEC 55 (antiga 241). De acordo com a revista Carta Capital, em pouco mais de um mês, já são mais de mil escolas e algumas universidades ocupadas em todo o país.

E ainda que sofrendo represálias, como multas, técnicas de tortura (como corte do fornecimento de água, energia elétrica e alimentação, privação do sono etc), e enfrentando ameaças da polícia, o movimento é, no momento, o mais representativo nos protestos e resistência contra o atual governo golpista e suas propostas de reformas, demonstrando a força da juventude brasileira. (Ednalva Felix das Neves, economista/Fundação Perseu Abramo)

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