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Privatização, destinos do BB e da Caixa


A decisão do Banco do Brasil (BB) de fechar centenas de agências e a de a Caixa Econômica Federal acabar com os postos deficitários integram o projeto do governo golpista de privatizar as duas instituições. 

O coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, Dionísio Siqueira, não tem dúvidas sobre as intenções dos golpistas: “Você começa a ver corte no Minha Casa, Minha Vida, na oferta de crédito, o não aporte do governo para empréstimos. Aliado a isso, vemos notícia de que os juros do BB e da Caixa já são maiores do que o do mercado. Isso tudo é uma forma de restringir o acesso do público ao crédito e, além de dificultar a saída da crise, ainda descapitaliza o banco.”


O fim da história, diz, é bem conhecido pelos brasileiros: “No final, como houve na Europa, é o sistema financeiro quem vai dar a solução, vai vir com um pacote de privatização dos bancos públicos, aumento de impostos e retirada de direitos, como já vemos.”

Segundo o dirigente, o plano de privatização de Temer tira das mãos do país até mesmo setores lucrativos, como a loteria. “O plano de privatização posto pelo governo é feito em pedaços. A Caixa Seguridade já está na mira, já criaram uma empresa chamada Lotex para vender a parte da loteria, algo que lembra, inclusive, o projeto de mudança de nome da Petrobras para Petrobrax, do Fernando Henrique Cardoso. E vendem a parte lucrativa, a loteria, que é instantânea e tem muito recurso”, disse.

Outro risco, alerta Dionísio Siqueira, é o banco abrir mão do Fundo de Garantia, vendendo a ideia de que aumentaria a rentabilidade se todos os bancos pudessem operar.

“Isso reduziria o controle e a segurança do fundo para os trabalhadores, além de enfraquecer o poderio da Caixa para fazer política de habitação e programas sociais. O banco tem crescido muito e só não avança mais por conta das políticas que o governo está implementando”, criticou.

Para refrescar a memória de quem não viveu a privatização dos bancos públicos, o secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf, Carlindo Dias de Oliveira,o Abelha, alerta para os impactos que a venda do patrimônio traz para o país.

“Ao trabalhador, fica a insegurança de permanecer ou não, há a perda de benefícios e, em pouco tempo, a junção das duas marcas resulta em enxugamento de pessoal. Se pegarmos a união do HSBC e do Bradesco, por exemplo, vamos ver que o primeiro tinha 19 mil trabalhadores e o segundo, 89 mil. Só que o Bradesco já caminha para ter o mesmo quadro de antes da fusão, porque o ramo aposta na rotatividade”, pontuou.

Uma rotatividade que ocorre com a demissão do trabalhador no topo da pirâmide para contratação com menor salário e menos benefícios. Esse cenário impacta diretamente na qualidade do serviço prestado ao público.

“Além disso, ao perder o caráter público, o banco deixa de ter como meta principal financiar o desenvolvimento, oferecer juros mais baixos, incentivar a produção agrícola, a habitação de menor custo, o desenvolvimento das empresas. E isso vem acompanhado de terceirização, os bancos privatizados passam a jogar o cliente que quer ir à boca do caixa, por exemplo, para bancos postais ou auto atendimento”, afirmou. (Da Agência CUT)

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