terça-feira, 8 de novembro de 2016

O triste Natal do Brasil Novo


O Brasil Novo do dr. Mesóclise e seu bando de picaretas, além de desprezar o povo, também não gosta de Papai Noel - ou, no caso, de seus representantes terrenos, os comerciantes, que são, na realidade, quem mais se beneficiam da data.

Pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais aponta que cerca de 107,6 milhões de consumidores brasileiros devem presentear alguém neste Natal - número inferior aos 109,3 milhões de pessoas que realizaram ao menos uma compra no ano passado. Em termos percentuais, 72,2% dos consumidores brasileiros pretendem comprar presentes para terceiros no Natal deste ano. Apenas 7,4% das pessoas consultadas disseram que não vão presentear ninguém, ao passo que 20,4% ainda não se decidiram, o que equivale a quase 30,4 milhões de indecisos e potenciais compradores.


O gasto médio por presente deve cair: em 2016, o brasileiro vai desembolsar R$ 109,81 com cada presente adquirido, o que representa uma queda real - ou seja, já descontada a inflação acumulada do período - de 5,34% na comparação com o ano passado. Em 2014, o gasto médio por presente havia sido de R$ 125,22 e, em 2015, de R$106,94. Os consumidores das classes C e as mulheres devem gastar ainda menos do que a média: R$ 101,42 e R$ 84,65, respectivamente. 

O SPC Brasil estima que o gasto total do brasileiro neste Natal será de R$ 465,59, tendo em vista que cada consumidor comprará, em média, quatro presentes.

Segundo dados da pesquisa, cresceu a quantidade de brasileiros que planejam comprar menos presentes no Natal deste ano. Três em cada dez (28,7%) consumidores ouvidos disseram que serão mais contidos na hora de encher o carrinho de compras. No ano passado, eles correspondiam a 22,8% da amostra de compradores. Os que vão comprar a mesma quantidade de presentes que em 2015 somam 29,0% dos consumidores, ao passo que a minoria (18,8%) tem a intenção de aumentar a quantidade de presentes adquiridos. Aumentou o percentual de pessoas que vão comprar apenas um presente: eram 7,5% em 2015, passando para 12,5% em 2016.

Seguindo a linha de contenção de gastos, o levantamento revela que quatro em cada dez (40,3%) consumidores pretendem gastar menos dinheiro neste Natal frente ao do ano passado, sobretudo a classe C (45,9%). Os que planejam gastar a mesma quantia são 21,1%, enquanto 21,7% acreditam que gastarão mais.  

Entre aqueles que pretendem gastar mais, a principal justificativa, entretanto, não chega a ser algo positivo: mais de um quarto (26,4%) desses entrevistados culpam o aumento dos preços como motivo para desembolsarem mais com presentes. Outras razões são o fato de terem mais pessoas para presentear (19,0%) e a decisão de comprar presentes melhores ou mais presentes (14,8%). 

Neste ano, praticamente dobrou a quantidade de consumidores que vão gastar menos com presentes porque precisam economizar: em 2015 eles eram 12,2% da amostra e agora são 25,4% dos brasileiros ouvidos nessa situação. O desemprego é a segunda causa dos presentes mais modestos, citado por 13,9% desses consumidores. Outras justificativas ainda mencionadas são o pagamento de prioridades, como casa e carro (12,1%), dificuldades financeiras (11,7%), aumento da inflação e a economia instável (11,6%) e endividamento (11,2%). 

Ter o hábito de presentear (53,3%) e considerar o gesto importante (35,6%) são as razões mais comuns entre aqueles que decidiram comprar presentes neste Natal. Apenas 4,9% das pessoas ouvidas disseram que o fazem de maneira forçada, apenas para cumprir uma obrigação social. Entre aqueles que não irão presentear terceiros no Natal de 2016 (7,4%), o endividamento desponta como a principal causa: quase um quarto (23,3%) dessas pessoas apontou a necessidade de priorizar o pagamento de dívidas. Entre as mulheres, o percentual cresce para 33,8%.

Outras razões ligadas à crise e avaliadas pelos entrevistados como obstáculo para a compra de presentes foi o desemprego (13,0%) e a falta de dinheiro (12,4%). Outros 20,6% alegaram que não vão presentar por não terem o costume.

Diante do bolso mais vazio, o Natal deste ano marcará uma mudança no comportamento do consumidor. Menos pessoas vão levar em consideração o perfil do presenteado na hora de escolher o produto (45,9% em 2015 para 27,8% em 2016) dando mais atenção às promoções e descontos, que passaram de 4,8% no ano passado para 16,7% neste ano.

Com relação ao ponto de venda, novamente o valor do produto é o fator que mais pesa. Mais da metade (51,6%) dos entrevistados escolhe a loja de acordo com o preço dos presentes e 42,7% decidem o local se houver alguma oferta ou promoção interessante (no ano passado representava 20,7%). 

Com juros elevados e crédito mais restrito, o pagamento à vista será o meio mais utilizado pela maioria dos entrevistados ouvidos (56,9%), seja em dinheiro (que passou de 42,3% para 48,2% em um ano), seja no cartão de débito (8,7%). Por outro lado, praticamente quatro em cada dez (39,4%) entrevistados garantem que vão optar pelo pagamento no cartão de crédito, incluindo a opção do parcelamento (28,2%) ou em única parcela (11,2%). 

Com queda de quase 10 pontos percentuais na comparação com o ano passado, o shopping center permanece na liderança como o local onde os consumidores vão concentrar a maior parte das suas compras (40,7%). Em segundo lugar aparecem as lojas online, com percentual estável na comparação com 2015 (32,3%), seguidas das lojas de departamento (25,1%) e dos shopping populares, que cresceram na preferência do consumidor, saltando de 14,6% para 23,7% de citações.

De acordo com a pesquisa, as roupas permanecem na primeira posição do ranking de produtos que os consumidores pretendem comprar para presentear no Natal (60,1%). Os brinquedos (41,6%), calçados (34,7%), perfumes e cosméticos (30,3%), acessórios, como bolsas, cintos e bijuterias (20,7%), smarthphones (17,6%) e livros (17,0%) completam a lista de produtos mais procurados para a data. 

Um comentário:

  1. Existe uma frase manjada, mas que se aplica como uma luva no assunto: "quem semeia vento, colhe tempestade".

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