Pular para o conteúdo principal

Governo golpista pode agravar desaceleração do acesso e elitização do ensino superior

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2015 o número de estudantes matriculados na educação superior no Brasil chegou a 8.033.574 (gráfico abaixo), com crescimento de 2,5% em relação a 2014. De 2013 para 2014, o crescimento das matrículas foi de 6,8%. A desaceleração deve-se ao fato de que após um aumento observado nos dois últimos anos (2013 e 2014), os ingressos tiveram uma queda em 2015 (-6,1%), tanto na rede pública (- 2,6%), quanto na rede privada (- 6,9%).

 Número de matrículas na educação superior (Graduação e Sequencial) – Brasil, 2005 - 2015

A description...

No mesmo período, o número de concluintes na rede pública diminuiu 0,8% e na rede privada houve aumento de 15,9%. Em 2015, mais de 2,9 milhões de alunos ingressaram em cursos de educação superior de graduação e mais de 1,1 milhão de estudantes concluíram a educação superior.


Os estudantes do ensino superior estão principalmente nas instituições privadas: 6.075.152 no ano de 2015, enquanto os estudantes matriculados em cursos de graduação em Instituições de Ensino Superior públicas somavam 1.952.145 no mesmo ano. Segundo o estudo, há 2,6 alunos matriculados na rede privada para cada aluno matriculado na rede pública em cursos presenciais.

De 2003 em diante, medidas como o Prouni e Reuni ampliaram o acesso ao ensino superior. A instituição das cotas também ajudou a democratizar o acesso às instituições e o perfil dos estudantes foi sendo modificado ao longo dos anos, tornando o ensino superior mais acessível a negros, estudantes provenientes de famílias de baixa renda etc. No entanto, a ampliação do acesso ao ensino superior, como mostram os dados, tem desacelerado. 

No contexto do governo golpista, tal fato coloca em risco o acesso ao ensino superior de forma democrática, já que Instituições de Ensino Superior públicas (pesquisas já mostram que 2/3 dos alunos das universidades federais vêm de famílias de baixa renda) se vêem afetadas por cortes como os propostos pela PEC 241/PEC 55, bem como Prouni e Fies (ambos voltados a fomentar a democratização do acesso ao ensino superior) tem sofrido cortes. Assim, as medidas adotadas pelo governo golpista de cortes na educação pública e nas políticas públicas/programas de financiamento podem agravar a desaceleração do acesso e promover uma aumento da elitização do ensino superior. (Ana Luiza Matos de Oliveira, economista/Fundação Perseu Abramo)

Comentários

  1. É como disse uma autoridade, recentemente: As prostituições, digo, "as instituições, estão funcionando". Alegremo-nos.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…