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O ministro Barroso, o Conselheiro Acácio e a Lei de Gerson

O ministro do STF Luís Roberto Barroso se diz chocado com o grau de delinquência do Brasil.

Impressionante.

Não o grau de delinquência que chocou o ministro, mas a sua ignorância.

Ora, não é preciso ser nenhum gênio, nem estudioso, nem se debruçar em teses acadêmicas, para se chegar à conclusão que o excelso ministro chegou.

O Brasil seria uma gigantesca Suécia se as suas leis fossem cumpridas.

Pois, pasmem, o Brasil tem leis para tudo - e a maioria delas boas leis, capazes de garantir o mínimo de equilíbrio numa sociedade tremendamente desequilibrada.

O problema todo é que essas leis são ignoradas, quando não descumpridas à luz do dia, sem dó nem piedade.

O brasileiro médio vive imerso na corrupção, grande ou pequena, não sobrevive sem uma dose diária dela, é um contraventor contumaz.


A única lei que segue fanaticamente é uma que está fora dos compêndios, mas que foi elevada à condição de fio condutor da conduta moral, ética, profissional e pessoal do homem comum - aquela que diz que é o importante é levar vantagem em tudo, a famosa Lei de Gerson.

O Brasil, porém, não estaria nessa situação de plena delinquência, como observou o ministro Barroso, se as suas autoridades, desde sempre, tivessem não só cumprido as leis outras que não a de Gerson, mas feito com que elas fossem cumpridas.

E entre essas autoridades obviamente estão incluídas Suas Excelências os digníssimos juízes, magistrados, desembargadores etc e tal, que compõem uma vasta casta de privilegiados incumbidos de distribuir Justiça para todos - e de impor o cumprimento das leis, não só a de Gerson.

Mas o Judiciário brasileiro é isso que vemos, um Poder despudoradamente corporativo, viciado em ritos e salamaleques, sem nenhum controle externo e, portanto, francamente aberto a todo tipo de corrupção, ilegalidades e crimes. 

Antes de se dizer chocado com a delinquência no Brasil, o ministro Barroso bem que poderia fazer alguma coisa prática para diminuí-la.

Mas pelo jeito ele prefere agir como o Conselheiro Acácio, o imortal personagem de Eça de Queirós, doutor do óbvio e PhD em platitudes. (Carlos Motta)

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