sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Indústria, que tanto apoiou o golpe, está agora cada vez mais desanimada


O setor industrial, um dos que mais entusiasticamente trabalharam a favor do golpe que destituiu a presidenta Dilma, está agora provando do seu próprio veneno: a produção industrial caiu em setembro, segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador desceu para 45,8 pontos e o índice de evolução do número de empregados ficou estável em 46,5 pontos em setembro. Em agosto, a produção estava em 50,8 pontos. Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem. Quando estão abaixo de 50 indicam queda na produção e no emprego.


Com isso, quase um terço do parque industrial ficou ocioso no mês passado, segundo a CNI. O indicador de nível de utilização da capacidade instalada permaneceu em 66%, o mesmo registrado em setembro de 2015.

Os estoques continuam ajustados. Isso significa que a produção voltará a crescer assim que a demanda aumentar, segundo a CNI - o que está longe de acontecer, já que o número de desempregados não diminui. O índice de estoque efetivo em relação ao planejado ficou em 49,6 pontos em setembro. O indicador varia de zero a cem e quando está próximo dos 50 pontos mostra que os estoques efetivos estão de acordo com o planejado pelas empresas.

A insatisfação dos empresários com a situação financeira e a margem de lucro das empresas diminuiu, o que não quer dizer nada, pois se trata de uma análise meramente subjetiva. O indicador de situação financeira foi de 41,5 pontos e o de margem de lucro operacional alcançou 36,4 pontos no terceiro trimestre. Ambos, contudo, continuam abaixo da linha divisória dos 50 pontos que separa a satisfação da insatisfação.

A sondagem também apontou os principais obstáculos enfrentados pelas empresas no terceiro trimestre. A elevada carga tributária, com 43,7% das respostas, ficou em primeiro lugar. Em seguida, com 41,8% das menções, aparece a demanda interna insuficiente e, em terceiro lugar, com 27,9% das assinalações, os empresários citaram a taxa de juros elevadas.

Em outubro, as perspectivas dos empresários em relação aos próximos seis meses estão menos otimistas do que em setembro. O índice de expectativa de demanda caiu 2,6 pontos em relação a setembro e ficou em 52,3 pontos. O indicador de expectativa de compras de insumos e matérias-primas caiu para 49,7 pontos e o de exportações recuou para 50,8 pontos. "Não há mais expectativa de aumento de compras de matérias-primas ou de aumento da quantidade exportada", diz a pesquisa.

O indicador de expectativa de evolução do número de empregados também caiu para 46 pontos, o que significa que os empresários não pretendem contratar nos próximos seis meses. Os indicadores de expectativa variam de zero a cem pontos. Abaixo que 50 mostram que as perspectivas são de queda.

Com perspectivas menos otimistas, a disposição dos empresários para investir continua baixa. O índice de intenção de investimento ficou em 43,5 pontos em outubro. Embora esteja 4,2 pontos abaixo da média histórica, o indicador não apresenta queda há seis meses consecutivos e está 2,8 pontos acima dos 40,7 pontos registrados em outubro do ano passado.

Um comentário:

  1. Ora, meu caro Mota, industriais que apoiaram o golpe se enquadram em dois tipos, não necessariamente excludentes:
    1 - os que têm indústria quase por brincadeira, pois aprenderam a ganhar dinheiro no cassino financeiro e a produção fica em segundo plano;
    2 - os burros que serviram de bucha de canhão para os rentistas que fingiam falar em nome da categoria dos industriais.
    Não nos esqueçamos, a este propósito, que Paulo Skaf é um industrial sem indústria. Não é?

    Sidnei

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