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Governo golpista se une a banqueiros para arrochar salários


A greve dos bancários segue firme e forte, embora seja ignorada pelos meios de comunicação. Na segunda-feira eles fizeram mais uma assembleia, que lotou a quadra do sindicato, e resolveram manter a paralisação.

“É hora de continuarmos juntos, de ampliar o movimento e fortalecer a greve. A campanha só se resolve dessa forma. Tudo que conquistamos até hoje foi na luta e não vai ser diferente este ano. Entramos juntos, sairemos juntos, com todo o país. Dissemos pros bancos que eles têm de melhorar a proposta e essa assembleia é um recado para eles”, disse a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, que negocia com a Fenaban.

Ela lembrou ainda que os bancos estão tentando se aproveitar da atual conjuntura do país para impor perdas aos bancários. “Eles querem se valer de um momento desfavorável aos trabalhadores, com um governo que ataca direitos, que quer impor uma reforma da Previdência nefasta à população, que quer aprovar a terceirização sem limites que afeta diretamente a categoria bancária. Mas nós temos de mostrar resistência.”

A dirigente também reforçou que a greve é um direito constitucional e os dias parados não podem ser caracterizados como abandono de emprego. “Tem bancário perguntando se após 30 dias de greve isso caracterizaria abandono de emprego. Não gente, a lei não determina nenhum tempo limite para a greve."

Para Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e bancário, a tentativa de rebaixamento dos salários pelos bancos possui um importante aliado, ou mesmo um protagonista “oculto”: o governo Temer.

“Não é verdade que os bancos não podem pagar a inflação. Os bancos estão se somando ao governo para derrotar a política de reposição salarial, que é a intenção deste governo golpista para todas as categorias. Mais ou menos como foi em 1994, na greve dos petroleiros, quando o sindicato da categoria fez a primeira greve na era FHC e o governo impediu a Petrobras de dar o reajuste, exatamente para manter o arrocho salarial que pretendiam para todos os trabalhadores”, explica Vagner.

“Os bancários estão sendo penalizados, feitos de bode expiatório, por um governo que quer aplicar uma política econômica de retirada de direitos e falsa austeridade. É a primeira categoria que se insurge contra essas questões. Aí eles [governo] propõem congelar gastos públicos por 20 anos, o que significa congelar investimentos em educação, saúde e também salários, de trabalhadores públicos e privados. É contra isso que estamos lutando. Contra essa política econômica equivocada, que diminui o fluxo de entrada de recursos dos salários na economia e, por consequência, reduz o consumo”, acrescenta. Vagner se refere à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, de autoria do governo Temer, que tramita na Câmara dos Deputados e que prevê o congelamento dos investimentos do Estado por duas décadas.

De acordo com o presidente da CUT, não houve grande mudança econômica, específica para o setor financeiro, da campanha dos bancários de 2015 para a deste ano. “A grande mudança, que está fazendo com que os bancários não recebam a recomposição da inflação, é a de governo. No governo passado, com todas as dificuldades, nem passou pela cabeça dos banqueiros não recompor a inflação. Não tinham um aliado no governo. Agora eles têm no Temer um parceiro para rebaixar salários.”

“Como presidente da CUT, sei que existem setores da economia com dificuldades para dar aumento real, mas não é caso do setor financeiro. Por acaso vão limitar os bônus dos diretores? Vai deixar cada um de ganhar R$ 1,5 milhão, R$ 2 milhões? O [Roberto] Setubal [presidente do Itaú] vai ganhar menos? O [Luiz Carlos] Trabuco [presidente do Bradesco] vai ganhar menos? Ou vai ser só o bancário que será penalizado?”, questiona Vagner. “A não reposição da inflação significa que você vai ganhar menos esse ano do que ganhou ano passado. Você trabalhou mais para ganhar menos”, acrescenta. 

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