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Desemprego vai continuar crescendo em 2017


Clemente Ganz Lúcio 

A dinâmica de geração e fechamento de postos de trabalho continua a mostrar a gravidade do rebatimento da crise econômica sobre o mundo do trabalho, segundo informações de agosto, divulgadas pelo Dieese, IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e Ministério do Trabalho e Emprego.

No acumulado dos oito meses de 2016, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), mais de 650 mil postos formais de trabalho foram fechados. Em 12 meses, fechados em agosto, quase 1,7 milhão de vagas. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego aberto está na casa dos 11,8%, o que representa 12 milhões de pessoas desocupadas. De acordo com o Dieese, a taxa de desemprego (incluindo os tipos aberto e oculto) é muito desigual entre as regiões, variando de 10,7%, em Porto Alegre, a 25,7%, em Salvador. Observam-se aumento da informalidade e queda dos rendimentos do trabalho e da massa salarial.


O problema é que, nesse período do ano, o mercado de trabalho deveria estar bombando, com muitos postos de trabalho ofertados, intensa procura e perspectivas de aumento da massa salarial, indicador fundamental para a demanda agregada da economia e fator decisivo para a formação das expectativas dos empresários para produzir.

Entretanto, o que se observa é o oposto. O ritmo de destruição de postos de trabalho diminuiu, mas não parou. Por exemplo, no ano passado, em agosto, foram fechados quase 95 mil postos de trabalho e neste ano “somente” 34 mil postos.

E o que anuncia o futuro? Quais as tendências para 2016 e 2017? A economia continuará patinando no fundo do poço e, mesmo o fraquíssimo crescimento que pode vir a ocorrer não será suficiente para mudar o sinal vermelho no mercado de trabalho.

Muitas empresas encontram-se endividadas, paralisadas, foram fechadas ou estão quebradas. Quem resistiu, tem grande capacidade ociosa. A demanda interna está estruturalmente deprimida pelo arrocho nos salários e no emprego, pelo corte nos investimentos públicos e privados e nos gastos do governo. Todos reduzem consumo, o que faz com que a perspectiva empresarial seja de que não adianta ampliar a produção. A demanda externa não existe. Todos os países querem exportar, mas falta quem compre. Não há nada que indique mudança nesse quadro. O Banco Central continua com o pé no freio, aplicando os escandalosos juros básicos para estancar a inflação. A valorização cambial volta a destruir a indústria.

Tudo indica que o desemprego continuará crescendo ao longo de 2016 e 2017. Até o fim do primeiro semestre de 2016, o crescimento do desemprego se dará pela predominância do fechamento de postos de trabalho. O ritmo de aumento do desemprego até o momento não é maior porque as pessoas estão abandonando a procura, portanto saem do mercado de trabalho e das estatísticas.

E se a economia voltar a dar sinais de retomada do crescimento neste fim de ano e início de 2017? Se isso ocorrer, os sinais serão, inicialmente, fracos. O que se observará no chão das empresas é o aumento das horas extras. Nesse período, os milhares de desempregados que abandonaram o mercado de trabalho, porque não acham um posto, deverão voltar a procurar emprego. O movimento de aumento da procura deverá seguir na frente da oferta de postos de trabalho, pressionando o aumento da taxa de desemprego.

Será preciso um longo período de crescimento, com geração de postos de trabalho, para promover a volta de um movimento consistente de redução das taxas de desemprego. Quando isso poderá acontecer? Talvez em 2018, a depender muito da qualidade do crescimento.

(Clemente Ganz Lúcio é sociólogo e diretor do Dieese)

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