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Desemprego e ameaças aos direitos sociais

O atual cenário de recessão econômica, somado às propostas da PEC 241 (que, entre outras propostas, têm como objetivo promover uma maciça retirada de direitos sociais), acarretará arrocho para os mais pobres, causando desemprego e pauperização da classe trabalhadora brasileira. O aumento do desemprego e da informalidade, apontados pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Continuada (PNADC), mostram que isso já está ocorrendo: entre julho e setembro de 2016, a quantidade de pessoas ocupadas diminuiu 963 mil . A taxa de desocupação aumentou 0,5%, alcançando a marca de 11,8%; e a quantidade de trabalhadores sem carteira assinada aumentou 186 mil.

O aumento do desemprego e da informalidade implica crescimento da pobreza, um problema histórico, combatido nos governos anteriores (Lula e Dilma), por meio de um conjunto de políticas que envolviam desde programas de distribuição de renda (o principal deles é o  Bolsa Família), como políticas voltadas para o mercado de trabalho (responsáveis por promover o aumento do emprego, valorização do salário mínimo), e garantia de direitos trabalhistas à grupos específicos, como as empregadas domésticas. 

Embora de fato esteja havendo uma crise econômica mundial, não é demais ressaltar que a destituição do governo da presidenta eleita, Dilma Roussef, e a posse do atual presidente foram fruto de um golpe orquestrado pela elite econômica nacional, que, raivosa, sempre demonstrou revolta com a ascensão econômica da população mais pobre e o fez exatamente para reverter as conquistas sociais.

Talvez este seja o momento de os movimentos sociais, em conjunto com os partidos de esquerda e as representações da classe trabalhadora, entenderem que a resposta ao golpe é também a luta pelos direitos sociais no Brasil. (Ednalva Felix das Neves, economista/Fundação Perseu Abramo)

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