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Com inflação em queda, juros devem ter pequena redução

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o mês de setembro apresentou crescimento de 0,08%, ou seja, quase não houve aumento dos preços na economia. Tal resultado veio abaixo do esperado pelo mercado.

Cabe destacar que essa foi a menor taxa para o mês desde 1998 (-0,22%). Foi também a taxa mensal para um IPCA mais baixa desde a alta de 0,01% em julho de 2014. O índice acumula alta de 5,51% nos primeiros nove meses do ano, ante 7,64% no mesmo período do ano passado. No acumulado em doze meses, houve desaceleração de 8,97% para 8,48%.


A desaceleração da inflação se deu, sobretudo pela deflação em Alimentos, Artigos de residência e Transportes. Alimentação e bebidas desaceleraram de 0,30% no mês anterior para uma deflação em 0,29%. Neste grupo, o IBGE destaca a deflação observada em leite longa vida, com recuo dos preços em 7,89% no mês, que contribuiu 0,10 ponto percentual (p.p.) para redução do índice. Diferentemente, no subgrupo Alimentação fora do domicílio ocorreu uma aceleração dos preços. Ou seja, o aumento dos preços foi de 0,18% no mês anterior para 0,33% no mês de setembro. No acumulado, o grupo de Alimentação e bebidas já expõe uma alta de 8,80%, e, em doze meses, o número atinge 13,31%.

O grupo Artigos de Residência apresentou deflação de 0,23% no mês. Com destaque para a queda nos preços de móveis (de +0,07% para -0,65%) e aparelhos eletroeletrônicos (de +0,85% para -0,41%). Outro grupo que apresentou deflação foi o de transportes, passando de uma inflação de 0,27% para uma deflação de 0,10%. Neste, as passagens aéreas continuam a apresentar queda dos preços. No mês de agosto foi de 3,85%, e em setembro de 2,39%. Ademais, em setembro, automóveis usados registraram queda de 1,50% nos preços.

Outros grupos que também desaceleraram, embora em menor medida, foram Educação (de 0,99% para 0,18%), Despesas pessoais (de 0,96% para 0,10%) e Saúde e cuidados pessoais (de 0,80% para 0,33%).

Apenas três grupos apresentaram aumento dos preços: Habitação (de 0,30% para 0,63%), Vestuário (de 0,15% para 0,43%) e Comunicação (de -0,02% para 0,18%). Em habitação, a aceleração se explica em grande medida pelo aumento do gás de botijão e energia elétrica residencial. Destaca-se também o comportamento de condomínio, com alta de 0,74% para 0,91%.

Nos preços administrados o aumento foi de 0,26% para 0,37%, em grande medida devido à elevação dos preços do gás de botijão, energia elétrica residencial e etanol. No acumulado de doze meses o aumento dos preços deste grupo desacelerou de 8,47% para 7,88%. Nos preços livres, a variação de agosto de 0,49% passou para quase estabilidade no mês de setembro (0,005%). Assim, tanto em tradables quanto em non-tradables houve uma expressiva desaceleração da inflação no mês. A inflação de 0,08% do IPCA de setembro é em grande medida advinda dos preços administrados.

Neste ambiente e dentro de uma diretriz de política monetária extremamente ortodoxa, é esperado que na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de outubro ocorra a redução da Selic. No entanto, tal redução tende a ser muito tímida, certamente não passando de 0,5%. Com uma economia que se encontra em forte contração, um maior dinamismo advindo da redução dos juros teria de vir de um corte muito mais substantivo. No curto prazo, apenas isso poderia estimular a retomada da economia, o processo de recuperação da renda e do emprego. (Igor Rocha, economista/Fundação Perseu Abramo)

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