Pular para o conteúdo principal

A dona do restaurante, o desprezo pelos pobres e a culpa da Dilma


A garçonete que usualmente me atende no restaurante onde almoço com mais frequência aqui em Serra Negra avisa que está na sua última semana de trabalho.

- O que houve? - pergunto.

- É que aqui pagam muito mal e a dona não quer nem me registrar. Disse que o movimento caiu - ela responde.

A garçonete fabrica pães caseiros e já começou a construir uma padaria/mercadinho num terreno que possui no bairro onde mora.

Continuamos a conversa. 

- Se o movimento está mais fraco agora, imagine só daqui a alguns meses, com essa recessão toda no país. Tem muita gente desempregada e mais gente vai perder o emprego - digo.


- Mas parece que ela [a dona do restaurante] não liga para os pobres. Outro dia, feriado na cidade, quando vêm muitos turistas, ela mandou colocar salsicha e batata no cardápio, dizendo que é disso que as crianças gostam. E para os adultos, perguntamos? Aí ela respondeu que eles eram pobres, que não tinha problema servir salsicha e batata.

Disse a ela que infelizmente muitos empresários pensam assim, justamente eles que nunca ganharam tanto como na última década, principalmente por causa desses "pobres" que detestam.

E indago:

- E o que eles fizeram com o dinheiro, investiram no seu negócio?

- Claro que não, seu Carlos. Ficaram viajando, postando fotos no Facebook. Agora estão com medo de ir à falência.

Terminamos a conversa.

Não sem antes a garçonete me dizer que, para a dona do restaurante a culpa pela queda do movimento era da Dilma.

Bingo!

(Carlos Motta)

Comentários

  1. Excelente !!!

    ResponderExcluir
  2. Tás vendo tu Mota? Assim são milhares por aí. Vão fechar.

    ResponderExcluir
  3. A culpa é do TENEBROSO TEMER LIBANÊS TERRORISTA GOLPISTA MAÇON SATANISTA. ESSA DESCULPA ESFARRAPADA NÃO COLA MAIS ESSE USURPADOR TEMER VAI ACABAR COM O BRASIL. TOMARA QUE O COMÉRCIO DESSA DONA COXINHA SE EXPLODA.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…