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Recessão faz importações caírem 25,5% no ano

De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), a balança comercial brasileira teve um superávit de US$ 4,14 bilhões em agosto. No acumulado deste ano, a balança registra um superávit de US$ 32,3 bilhões. Informações divulgadas pelo governo revelam a expectativa de que a balança comercial feche o ano de 2016 com um superávit entre US$ 45 bilhões a US$ 50 bilhões. Na mesma linha, o Banco Central projeta que o saldo ficará positivo em US$ 50 bilhões.

O superávit de agosto é fruto do montante das exportações superior às importações. No mês em referência, as exportações somaram US$ 16,99 bilhões, o que representa um crescimento de 0,2% ante o mesmo mês do ano passado e uma queda de 5% na comparação com o mês anterior. Pelo lado das importações, estas somaram US$ 12,85 bilhões em agosto, configurando queda de 8,3% frente ao mesmo mês do ano passado. 

No acumulado do ano, tanto as exportações quanto as importações apresentaram queda na comparação com o mesmo período de 2015. As vendas para o exterior somaram US$ 123,57 bilhões (média diária de US$ 735 milhões), e as importações, por sua vez, somaram US$ 91,2 bilhões (média diária de US$ 542 milhões). Assim, na comparação com o ano anterior, houve contração de 4,9% das exportações e 25,5% das importações.

Em uma análise setorial, nas exportações ocorreu aumento de semimanufaturados, mas queda de produtos básicos e produtos manufaturados. No que tange às importações, houve queda nas compras de bens de consumo, de bens intermediários e de bens de capital. 

Infelizmente, o saldo positivo na balança comercial tem se dado muito mais por uma contração das importações, fruto da recessão econômica, do que de um maior dinamismo pelo lado das exportações em mercados internacionais. É necessária uma menor volatilidade cambial e uma redução das taxas de juros para que se viabilize o investimento produtivo. 

No ano, o real encabeça a apreciação frente ao dólar quando comparado a todas as moedas mundiais. Somado a uma das maiores taxas de juros do mundo, o fato tende a inviabilizar a retomada da economia. (Igor Rocha, economista/Fundação Perseu Abramo)

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