domingo, 4 de setembro de 2016

PM paulista age antes de black blocs, como agente provocador


A Polícia Militar é um dejeto da ditadura. 

Age escancaradamente em benefício dos endinheirados, persegue a população pobre, os movimentos sociais, os jovens pretos, tudo que, mesmo remotamente conteste o status quo.

Atua, na verdade, como uma guarda pretoriana dos donos do poder - o político também, mas essencialmente o econômico.

É formada por brutamontes ignorantes e preconceituosos, condicionados a usar a violência antes de mais nada, e que não respeitam as leis e não dão nenhum valor aos direitos humanos ou à própria dignidade das pessoas.

Eu havia acabado de ler algumas notas sobre a atuação desses selvagens tão logo a gigantesca manifestação contra o governo golpista havia terminado em São Paulo.

Não resisti a lançar uma pergunta, ou melhor, uma afirmação, no Facebook:

"Quer dizer que a gloriosa PM acabou fazendo hoje em São Paulo aquilo que faz com mais eficiência, que é ser covarde?"

A jornalista Samantha Maia, por quem boto a mão no fogo, não só respondeu à minha pergunta, como deu detalhes de como agiram os nossos corajosos guardiões da lei e da ordem, que, neste momento dramático da vida nacional estão atuando como agentes semeadores do caos:

Motta, o ato já tinha sido encerrado, mas tinha muita gente concentrada no Largo da Batata, aos poucos estavam indo embora de metrô (cuja catraca não estava liberada como na manifestação dos verde-amarelos), outros estavam nos bares, ou mesmo sentados no chão.

Eu vi uma fila de PMs passar pelo meio da multidão (aparentemente chamada pelo metrô, pelo que li nos sites) e não demorou muito para que ouvíssemos a primeira bomba. 

Não tinha nada sendo quebrado até então. 

Apenas um monte de gente correndo que nem baratas tontas para fugir do ataque da PM. Tinha muita gente de idade e crianças. Não vi notícias sobre como ficaram as pessoas. Eu consegui achar uma rota de fuga, pois a PM cercou várias ruas, e só depois disso ouvi dizer que os black blocs quebraram coisas. 

Ou seja, bem antes de algo ser quebrado, a gente já estava fugindo da polícia. 

Horrível. 

E no caminho encontramos uma mulher com um tiro de borracha na perna. Ela estava se despedindo de um amigo na entrada do metrô quando foi acertada.

(Carlos Motta - Foto: Eduardo Figueiredo/Mídia NINJA)

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