domingo, 4 de setembro de 2016

Patrões querem diminuir salários dos jornalistas

Não sei quanto aos outros, mas os jornalistas de São Paulo estão sentindo na carne o que os espera no Brasil Novo. 

A data-base da categoria é 1º de junho e a quinta rodada de negociação salarial entre patrões e empregados de jornais e revistas da capital (a negociação com o interior é separada) terminou sem avanço em relação ao reajuste: os representantes patronais mantiveram a proposta de reajuste zero e continuam irredutíveis em relação a vários itens da convenção.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo informou os representantes das empresas sobre a realização de assembleias com a categoria para consultá-los sobre a proposta. A conclusão da consulta aos jornalistas é que reajuste zero é inaceitável. “A nossa proposta é a proposta do trabalhador que não pode perder 10% do seu salário real sem a recomposição da inflação. Agora a alternativa tem que vir das empresas”, argumentou o secretário-geral do sindicato, André Freire.

Os patrões não apresentaram nenhuma proposta de reajuste econômico na mesa de negociação, com a justificativa de que as empresas de comunicação estão em situação crítica. Segundo os representantes, algumas empresas correm o risco de não conseguir honrar todos os seus compromissos nos próximos meses.

Para o sindicato, o Sindjore ignora o crescimento da publicidade na internet, sendo que parte dos grupos de comunicação é de verdadeiros conglomerados que detêm mídia impressa e digital. “Reajuste salarial não é benefício, é ajuste de custo. Uma proposta de 0% de aumento é uma proposta de redução do salário real do jornalista, que hoje vale somente 91% do que valia no mesmo período do ano passado”, afirmou o presidente do SJSP, Paulo Zocchi.

A pauta aprovada pela categoria, entregue no início de maio, reivindica a reposição da inflação de 9,82% (INPC) acrescida de 3% de aumento real nos salários e benefícios econômicos e sociais.

Nova rodada de negociação está marcada para o dia 6 de setembro, terça-feira. Até o momento, foi assinada a garantia da data-base em 1º de junho. Assim, quando o acordo for fechado, todas as cláusulas valerão de forma retroativa a partir desta data. 

Quanto aos jornalistas do interior do Estado, o fará assembleias até dia 15 de setembro para consultar a categoria sobre os rumos da Campanha Salarial. A decisão foi tomada pela direção do sindicato devido à intransigência dos patrões, que mantêm o impasse nas negociações. 

Na quinta rodada, os empresários repetiram a proposta apresentada na terceira rodada: 3% de reajuste provisório retroativo a junho e  5,83%  em maio de 2017, com reajustes incidindo apenas sobre o salário, sem contemplar os benefícios.

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