quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O empresário está otimista, mas não sabe por quê


Os releases que infestam a minha caixa de entrada de e-mails tratam de tudo, a grande maioria de irrelevâncias, mas há alguns que chamam a atenção, como um produzido para o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), a respeito de um tal Indicador de Confiança da Micro e Pequena Empresa (ICMPE), medido por essas entidades.

Trata-se de uma indisfarçável peça de propaganda a favor do "Brasil Novo", uma das tantas que vamos agora engolir na tentativa de mostrar que bastou o Dr. Mesóclise e se bando tomarem de assalto os negócios da nação para que ela se transforme, num passe de mágica, num paraíso de leite e mel - ou uísque e caviar, como queiram.

Segundo o material, o tal indicador de confiança cresceu 12,2% em agosto na comparação com julho deste ano, alcançando 50,17 pontos na escala. "Trata-se do quarto mês consecutivo que o indicador apresenta uma melhora em relação ao mês anterior. Além disso, foi a primeira vez desde maio de 2015, início da série histórica, que o indicador superou o nível neutro de 50 pontos - o termômetro do indicador varia de zero a 100, sendo que quanto mais próximo de 100, mais confiantes estão os empresários", afirma o texto publicitário.

Em seguida, fala o presidente da CNDL, Honório Pinheiro:“O reestabelecimento (sic) da confiança dos agentes econômicos é uma notícia a ser comemorada, mas os seus efeitos sobre as variáveis reais devem ser de uma recuperação lenta, demorada e que precisa ser confirmada daqui para frente. Isso, no entanto, dependerá dos rumos da política econômica adotada pelo novo governo efetivado apenas recentemente no cargo e de um cenário político mais estável e de convergência. Este é um passo importante para a retomada do crescimento, uma vez que as dificuldades persistem. Afinal, a decisão de investir depende fundamentalmente da expectativa que o  empresário tem em alcançar lucros e expandir seus negócios.”

Longos parágrafos cheios de números e considerações depois, para dar um ar "científico" a essa bobajada - o "estudo" é baseado nas informações dadas pelos empresários, ou seja, não existe como checar a veracidade dos dados -, surge um interessante intertítulo:  "Empresários esperam fim da crise política e aumento das vendas."

E segue a maior pérola do texto:

"A maior parte dos empresários otimistas com a economia não sabe, porém, explicar suas razões: dizem apenas acreditar que as coisas irão ser resolvidas de alguma maneira (35,2%). Há também os que mencionam a resolução da crise política (21,0%), e os que acreditam que a inflação será controlada e o país retomará a rota de crescimento (18,3%). 

"Entre os que manifestam otimismo com relação ao seu negócio, a razão predominante é o sentimento sem uma explicação racional aparente de que as coisas serão resolvidas no final das contas (27,6%), seguida de perto pela  expectativa de que a economia irá melhorar, com recuo da inflação, aumento das vagas de emprego e das vendas (27,4%). Outras explicações ainda citadas são o fato desses empresários estarem investindo para reverter a crise (15,7%) e adotarem uma gestão eficiente para suportar o momento de turbulência (15,5%).

Para resumir: agora que os petralhas foram afastados, tudo vai melhorar, mas ninguém sabe como.

Mas que vai, vai. 

Afinal, deus é brasileiro. 

(Carlos Motta)

Um comentário:

  1. Tentam disfarçar com sorriso amarelo. Nos Governos Lula e Dilma iam de vento em popa, e não paravam de esculhambar. Taí o que eles queriam. Levar ferro e sorrir.

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