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Inflação resiste à recessão

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação mensurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou variação mensal de 0,44% em agosto. Em julho a alta havia sido de 0,52%, de forma que a inflação perdeu força quando comparada com o mês anterior. No entanto, esta se encontra acima do registrado no mesmo período do ano passado. Ou seja, em agosto de 2015, o aumento da inflação havia sido de 0,22%. No acumulado do ano, o aumento registrado é de 5,42%, abaixo dos 7,06% apurados em mesmo intervalo do ano anterior. Em doze meses, a inflação foi de 8,97%, superando os 8,74% registrados nos doze meses, ficando assim, ainda acima do teto da meta de inflação do Banco Central, de 6,5%.

Em agosto, o grupo alimentação e bebidas foi o que mais contribuiu para que a inflação perdesse força, expondo um recuo de 1,32% para 0,30% no mês analisado. Por exemplo, o feijão carioca e a batata inglesa que forçaram alta dos alimentos nos meses anteriores cederam respectivamente em seus preços 5,6% e 8%, trazendo boas notícias para a mesa dos brasileiros. Outros itens que tiveram um avanço menor da inflação foram os relacionados a transportes que recuram de 0,4% para 0,27%. Isso porque, nas passagens aéreas, houve uma redução média de 3,85% dos preços. Desacelerações representativas também ocorreram em artigos de residência (de 0,53% para 0,36%) e comunicação (de 0,02% para -0,02%).

As frutas, por outro lado, tiveram alta de aproximadamente 5%. Preços relativos a produtos ligados a educação subiram de 0,04% para 0,99%, e despesas pessoais de 0,7% para 0,96%. Produtos relacionados à educação sofreram inflação, sobretudo devido ao início do segundo semestre do ano letivo. No caso de despesas pessoais, o item que mais impactou o grupo foi o aumento dos preços das diárias de hotel, que cresceram 11,58%. Devido às Olimpíadas, no Rio de Janeiro, o aumento dos preços dos hotéis foi da ordem de 111,23%. Nesses últimos itens o aumento dos preços foi puramente sazonal e não devem voltar a ocorrer, pelo menos na mesma proporção, nos próximos meses. Em suma, apesar de a inflação ainda estar acima da meta do Banco Central, a expectativa é de arrefecimento nos próximos meses. (Igor Rocha, economista/Fundação Perseu Abramo)

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