Pular para o conteúdo principal

Alckmin expulsa do Horto Florestal institutos de pesquisa



O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), determinou por meio do secretário de Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, que o Instituto Florestal e a Fundação Florestal desocupem as suas atuais sedes. O comunicado chegou aos pesquisadores de ambos os órgãos na segunda-feira (26). É mais um ataque do governo paulista ao patrimônio científico público, e que vem fragilizando o desenvolvimento de pesquisas no estado. Os acervos e pesquisadores deverão ser transferidos para o prédio da Secretaria do Meio Ambiente, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

O Instituto Florestal e a Fundação Florestal estão sediadas no Parque Estadual Alberto Lofgren, o Horto Florestal, na zona norte da capital paulista, e suas instalações incluem laboratórios, herbário (arquivo de plantas), museu, biblioteca, xiloteca (arquivo de tipos de madeira), refeitório e hospedaria (para pesquisadores de outras localidades), além dos centros administrativos das unidades de pesquisa no interior e de áreas de conservação ambiental. As duas instituições contam com corpo técnico de 1.317 funcionários.

Os pesquisadores afirmam que as desocupações anunciadas segunda-feira colocam em risco o patrimônio ambiental e cultural do Estado. Eles ainda alegam que não está clara a destinação dos imóveis após as desocupações, e cobram explicações,

"Este processo não é transparente, os motivos não estão claros, não houve participação das direções destes institutos e da fundação, nem da comunidade científica. Também não é informada a destinação que se pretende dar a estes imóveis públicos, instalados no interior de um parque estadual, sendo que alguns destes prédios são tombados pelo patrimônio histórico. A preocupação é grande por parte do nosso corpo técnico e comunidade de entorno quanto a mais um possível desmonte com a venda destes imóveis", afirma o presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos dos Estado de São Paulo (APqC), Joaquim Adelino Azevedo Filho.

Ele afirma que a realocação desses equipamentos em outras áreas compromete a realização de suas funções, e teme ainda que elas não sejam transferidas em conjunto. Além do risco de dispersão, Adelino aponta riscos de perdas e danos no transporte dos arquivos e materiais, que acumulam mais de um século de investimentos em pesquisa.

"O Parque do Horto Florestal dispõe de estrutura adequada para atendimento do corpo funcional. Esta mudança pode ser muito desastrosa para a pesquisa. E não sabemos ainda o motivo deste pedido de desocupação. O governo dita as regras e não somos nem ao menos consultados", acrescenta Joaquim.

Sem parar

Em abril, o governador enviou à Assembleia Legislativa, em caráter de urgência, o Projeto de Lei 328, que prevê a venda de 79 áreas públicas estaduais avaliadas em R$ 1,43 bilhão no total, entre as quais centros de pesquisa e parques públicos localizados na capital e no interior do estado.

O pretexto do governo Alckmin foi "fazer caixa e equilibrar as contas públicas". Devido à falta de transparência e de diálogo com os servidores, que pediam a realização de audiências públicas para debater a questão, a Justiça chegou a suspender a tramitação do projeto mas o  Executivo, após manobras junto à bancada governista da Assembleia, conseguiu a sua liberação, no mês passado, inclusive com a inclusão de novas propriedades a serem vendidas.

No processo de privatização de áreas públicas, o governo Alckmin já havia despejado, sem ordem judicial, 60 famílias de trabalhadores rurais sem terra da Ocupação Nova Esperança, no município de Itaberá, na região de Itapeva, que ocupavam também terreno da Secretaria do Meio Ambiente. (Rede Brasil Atual)

Comentários

  1. Musica para campanha de Alckmin à Presidência:Manda ver Maestro:
    O meu boi morreu
    O que será de mim
    Mande buscar outro,oh Morena
    Lá no Piauí
    O meu boi morreu
    O que será da vaca
    Pinga com limão, oh Morena
    Cura urucubaca.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…