quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Um país à deriva

O Facebook, como toda a internet, expõe tesouros e o mais repugnante lixo.

Depende de nós saber procurar, saber escavar, saber buscar aquilo que vai nos acrescentar um ensinamento ou uma informação, e até mesmo vai tocar em nossas emoções de modo a nos tornarmos mais ligados a esta nossa miserável condição humana.

Agora há pouco, passeando pelo Facebook, descobri três textos que, de certa forma, resumem o que penso sobre o momento deste pobre país.

São duros, pessimistas, mas essencialmente verdadeiros. (Carlos Motta)


Nelson Barbosa
Tenho me convencido de que o Brasil sempre foi o mesmo e igual, que os anos Lula/Dilma não passaram de um delírio de nossa vontade de viver num país decente.

Concluo isso porque a relação política de que aparentemente somos vítimas agora na verdade sempre existiu. Basta pensar nas relações no trânsito das grandes cidades, nas relações de trabalho e profissionais, mesmo nas equipes que formamos para tentar realizar um sonho... somos sempre golpeados por algum oportunista, por alguém que acredita que pode ganhar mais do que os demais, por alguém que se acredita sempre mais competente que os demais.

Basta pensarmos na relação do homem com a mulher na nossa sociedade, nas relações de gênero e de poder, patrão e empregado, mesmo de amigos que competem entre si por ciúme dos amigos, ciúme das conquistas, do sucesso alheio.

Basta pensar na forma como votamos, elegendo um congresso corrupto e exigindo pureza do/da presidente. Pensar na nossa história de dominação pelo macho, branco, europeu e rico.

Lula e Dilma foram, assim, apenas um delírio, um período róseo, numa pátria cuja fantasia maior é dar o truque, viver de truques, ganhar sobre o outro, mostrar-se melhor que o outro, aclimatando-nos aos desejos e às forças sempre dominantes.


Nilson Lage

Todo governo – de direita, centro ou esquerda – tende, naturalmente, a defender a nação, quanto mais não seja por pressão das forças que o apoiam.

Por isso, é importante manter o Brasil sob comando frágil e vulnerável - odiado e sobrevivente por suas próprias contradições. Isso facilita o trabalho de liquidação do patrimônio e das estruturas nacionais básicas, que se iniciou, agora, pela Justiça.
A corrupção, a propaganda e a autocomiseração farão o resto.

Ocupados os sistemas de informação e educação pública, o país logo se reduzirá a uma pasta sem memória e sua existência formal, se persistir, será irrelevante.

Nesse sentido, dou razão aos investidores em Miami e ao senador Cristóvão Buarque em sua ideia fixa de terminar a medíocre carreira política com um cargo na Unesco.
Para quem conheceu o Brasil, qualquer outro lugar será melhor para viver.


Elias Machado 

Não é de hoje que eu digo que Dilma não deveria ter aceito participar desta farsa de julgamento; Um processo conduzido por dois processados por corrupção no STF; Um julgamento de uma presidenta honesta e que não cometeu nenhum crime enquanto Cunha sequer foi cassado; Um julgamento da presidenta honesta e sem crimes, substituída por um vice e ministros vinculados a inúmeros casos de corrupção; Enfim, um julgamento em que os juízes não são isentos, muitos respondem por processos de corrupção e os votos são comprados às claras pelo interino. 

Quando não há isenção do Tribunal, a única opção de quem é julgado injustamente é não participar do processo e denunciar as arbitrariedades sofridas. 

Dilma Roussef e o PT, escudados por Cardozo, o crente, estranhamente, aceitaram participar deste processo, que se configura claramente como um golpe parlamentar, conforme amplamente divulgado pela imprensa internacional e pelo pouco que resta de imprensa que pratica jornalismo no País.

Nenhum comentário:

Postar um comentário