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Os homens de bem


O agressor da atriz Letícia Sabatella se considera um "homem de bem".

A agressão foi feita quando ele estava numa manifestação a favor do impedimento da presidenta Dilma, em Curitiba, integrada por algumas dezenas de pessoas que pensam como ele - se xingar, ameaçar, berrar slogans da época da Guerra Fria e formar frases sem nenhum sentido lógico e mentirosas significa pensar...

O que esses homens de bem ainda não perceberam é que, no mundo de hoje, a informação corre na velocidade da luz e a mentira e a verdade são reveladas quase instantaneamente.

Assim, minutos depois de divulgar sua agressão contra a atriz, como se tivesse sido autor de um feito espetacular, todo mundo ficou sabendo o homem de bem que ele é.

O jornalista Bob Fernandes foi rápido no gatilho.

E mostrou, em seu perfil no Facebook, que as nossas cadeias não estão cheias de tais homens de bem porque outros homens de bem lhes dão a proteção que uma sociedade moderna, democrática e justa não toleraria nunca:

Leio que Gustavo Abagge é o cara que chamou Leticia Sabatella de "puta" na manifestação de Curitiba. Gustavo seria filho de Nicolau Elias Abagge, ex-presidente do Banestado, do Paraná.

Na farra das contas CC-5 este banco, entre outros, tornou-se símbolo de lavanderia de dinheiro porco; sonegado, na melhor das hipóteses. Por ele, e outros, fortunas - me lembro de certo Bilhão - eram enviadas para paraísos fiscais.

Quem conheceu as listas de dinheiro enviado pra fora via gambiarras nas CC-5 sabe que muitos do que agora bradam, e vários dos que mancheteiam contra a "córrupissão" estavam naquela farra.

Conheci tais listas porque em 34 páginas escrevi, em Maio de 98, a única edição extra de Carta Capital, "Brasil: a maior lavagem de dinheiro do mundo". Tratava desse tema, toda a edição.

Lembrar daquela longa apuração e ver certos tipos pontificando sobre "ética" nas ruas, mídias e redes, provoca engulhos: como conseguem ser tão cínicos, tão hipócritas?

Mas voltando à Sabatella, aos zurros curitibanos, e ao cara que é filho do cara, uma constatação: a neurociência avançou barbaridades, a farmacopeia idem, mas o velho e bom Freud ainda explica muito...

(Carlos Motta)

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