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O eterno país do futuro


A frase "o Brasil é o país do futuro" se tornou há muito tempo um clichê.

Ela poderia cair em desuso, porém, se a nação continuasse seguindo a trajetória social-democrata imprimida pelos governos Lula e Dilma, a partir de 2003.

Os trabalhistas conseguiram o feito de reduzir a ignominiosa desigualdade econômica e social que envergonha o Brasil perante as outras nações, iniciar obras gigantescas de infraestrutura, ampliar o Estado de bem-estar social preconizado na Constituição de 88, principalmente nas áreas de saúde, educação e moradia, reduzir o desemprego e aumentar a renda média dos trabalhadores, ampliar notavelmente o mercado de consumo, e levar o país como protagonista aos mais importantes fóruns internacionais.

Em resumo, o Brasil melhorou interna e externamente.

O mais incrível é que essas conquistas foram feitas sem rupturas de qualquer ordem, sem sacrificar nenhuma classe social, nem suprimir direitos de quem quer que seja.

Ao contrário, os valores democráticos foram ampliados - para todos.

E, pela primeira vez na sua história, houve a perspectiva real de que o Brasil deixasse de ser o país do futuro e se tornasse o do presente, com muito menos desigualdades, e com o Estado cumprindo, ainda com falhas, é óbvio, o seu papel de indutor do progresso, defensor dos estamentos mais frágeis e gestor das riquezas nacionais.

Os últimos tempos foram duros, mas uma nação do tamanho do Brasil poderia superar as dificuldades sem que elas comprometessem os avanços realizados.

A quebra da ordem institucional, por meio de um golpe jurídico-parlamentar, apoiado efusivamente pela oligarquia, não só interrompeu esse período de bonança, mas vai comprometer, por anos e anos, o projeto de levar o Brasil ao Primeiro Mundo, ou, ao menos, ao status de potência média.

O programa de governo dos golpistas, em tudo contrário ao seu antecessor, visa tão somente fazer com que o país retroceda aos tempos do "gigante bobo" que foi durante toda a sua história.

Um gigante bobo que não é respeitado nem pelos seus vizinhos e não respeita os homens e mulheres que o formam. (Carlos Motta)

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