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Mídia e grupos fundamentalistas ganham peso nas eleições municipais

O prazo para registro de candidaturas para disputa da próxima eleição a prefeito, vice-prefeito e vereador terminou na segunda feira, 15/8. Na terça feira, teve início a campanha eleitoral. O primeiro turno está marcado para 2 de outubro e o segundo para o dia 30 do mesmo mês, apenas em municípios com mais de 200 mil eleitores.

A campanha eleitoral desse ano teve seu período reduzido de 90 para 45 dias, e a redução do tempo de propaganda eleitoral gratuita em TV e rádio caiu de 45 para 35 dias, com início previsto para o dia 26/8. As inserções nas emissoras de rádio e TV serão feitas em dois blocos de dez minutos cada, duas vezes por dia, de segunda a sábado, no rádio, das 7h às 7h10 e das 12h às 12h10; e na TV das 13h às 13h10 e das 20h30 às 20h40. 

Com a redução da campanha, os candidatos terão menos tempo para divulgar suas propostas e os eleitores mais dificuldade para decidir em quem votar. O argumento favorável à redução da campanha eleitoral é que as propagandas devem se tornar mais baratas, uma vez que as empresas estarão proibidas de fazer doações para candidatos e partidos. Segundo a legislação eleitoral desse ano do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as campanhas só poderão contar com o financiamento de pessoas físicas, limitadas a 10% da renda obtida no ano anterior e com o fundo partidário. 

Os candidatos também terão de se submeter a um limite de gastos e de pessoas contratadas para atividades de campanha, o que anteriormente era uma decisão dos partidos políticos. Em cerca de 80% dos municípios (3.794 municípios com até 10 mil eleitores) candidatos a prefeito poderão gastar no máximo R$ 100 mil e candidatos a vereadores R$ 10 mil. Os gastos nas capitais variam de R$ 222.066,85 para candidatos a prefeito de Rio Branco, no primeiro turno, a R$ 45.470.214,12 para candidatos a prefeito de São Paulo, variando de acordo com o eleitorado.

Com as novas regras de financiamento de campanha apenas por doação de pessoas físicas ou fundo partidário, os partidos que têm doadores cativos tendem a se beneficiar. Estão nesse rol aqueles que contam com maior militância, como também os que estão associados a grupos religiosos e veículos da mídia.

É importante destacar o quanto o poder midiático se relaciona com os grupos religiosos, constituindo uma grande força de poder persuasivo. Segundo o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os evangélicos das mais variadas matizes somam mais de quarenta milhões de fiéis, pouco mais de 22 % da população do país. 

Só a Igreja Universal conta com quase 2 milhões de seguidores e controla mais de 20 emissoras de televisão, entre elas a segunda maior rede de tevê do país, a Record, 40 emissoras de rádio, gravadoras e editoras. Além disso o arrendamento de espaço para igrejas em emissoras de TV abertas como Band, RedeTV e Gazeta ultrapassa 30 horas semanais. 

Em uma sociedade que pede o fim de doações empresariais, portanto, menor influência do poder econômico nas eleições, não se pode esquecer o papel determinante que a “grande imprensa” desempenha na vida política nacional e na sua intervenção a favor do golpe. 

Nestas eleições, sem o financiamento formal de empresas, convém analisar a participação dessas forças midiáticas e fundamentalistas na disputa pelo processo democrático em contraposição à participação da militância dos partidos reconhecidamente mais orgânicos e de raízes populares. (Vilma Bokany, socióloga/Fundação Perseu Abramo)

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