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As eleições municipais vêm aí: servem mesmo para quê?


A gente aprendeu que eleição não vale mais nada no Brasil. E o pior é que tem uma daqui a alguns dias para escolha de prefeito e vereadores, um monte deles país afora. 

Como a política nacional é isso aí que se vê, um imenso balcão de negócios diversos e quase sempre criminosos, além do fato de o brasileiro médio ser um completo analfabeto em questões de cidadania e irremediavelmente burro nas outras, é certeza que os eleitos vão manter o nível dos atuais burgomestres e edis - o nível da sarjeta.

Em Serra Negra, cidade de 27 mil habitantes, onde moro há dois anos meio, a 140 km da capital paulista, integrante do chamado Circuito das Águas Paulista, a disputa promete tantas emoções quantas a mais vagabunda novela de televisão.

Para suceder o octogenário prefeito Bimbo (DEM), condenado pela Justiça Eleitoral por improbidade administrativa, concorrem quatro candidatos.

Descobri outro dia que o nanico e trotskista Partido da Causa Operária, o PCO, incrivelmente tem o seu candidato: Marcos Antonio Mielli, apelidado de Prancha.

Descobri ainda que o PT tem quatro candidatos a vereador - Rafael Carvalho, Vera Lúcia, Dalmir Baixinho e Lima. 

Já sabia que o PT não tinha candidato a prefeito: os seus dois vereadores se bandearam vergonhosamente para o PR.

O candidato da situação - ou seja, do clã Chedid, que controla sabe-se lá quantas prefeituras interior afora - chama-se Sidney Ferrarresso, é do DEM, coligado com 8 partidos - se acertei a conta.

Os candidatos da oposição, além do Prancha, do PCO, que deve ter o seu, o da vice, o meu, e mais uma meia dúzia de votos, são um tal de Marcos Bueno, com chapa puro sangue do notório PRB da Igreja Universal, e o genro do falecido dono do mastodôntico hotel Vale do Sol, Luiz Bulk, que foi prefeito da cidade anos atrás, de apelido Kiko e sobrenome Gianotti, do PV, coligado com incríveis 15 partidos - no balaio de gatos entra até o PC do B.

Dizem as lendas que o candidato da situação, que já foi vereador, chegou a assinar um decreto para tornar Jesus Chedid, chefe da família e ex-prefeito de Serra Negra e Bragança Paulista (foi cassado da função), persona non grata na cidade.

Mas como o tempo tudo cura, hoje ele é Chedid desde criancinha.

Já o opositor Kiko tem pendengas antigas e mal-resolvidas com a prefeitura chedidiana, como passar a pagar IPTU e não mais ITR pelo enorme terreno do Vale do Sol, e sobre o destino de um cinema abandonado, que fica atrás de um hotel que construiu, bem no centro da cidade, e que serviria muito bem para área de estacionamento dos hóspedes - o hotel está prontinho há anos, mas continua teimosamente fechado.

Virando a revirando, de novidade sobra apenas o Prancha, que não sei quem é, mas só pelo fato de ter coragem de sair candidato pelo PCO, enfrentando os coronéis serranos, tem o meu apoio e o eu voto. (Carlos Motta)

Comentários

  1. Que os candidatos se preparem para enfrentar as "sete pragas do cabeça de bagre", que assolarão a classe politica do Brasil! Rezem!

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