terça-feira, 23 de agosto de 2016

A certeza de que nada vai mudar


O debate dos candidatos a prefeito e vereador em Serra Negra não é feito em emissoras de televisão ou rádio - é nos vidros traseiros dos veículos, mesmo.

As propagandas começam a ser vistas, trazendo o nome ou apelido dos candidatos, do tipo "Zé da Farmácia", "Tião do Hospital", coisa, imagino de comunidades pequenas - Serra Negra tem cerca de 28 mil habitantes-, onde muitas pessoas ainda se conhecem, do trabalho, da vizinhança, da família, do comércio...

Elas trazem também em destaque o número do candidato, mas, estranho, ninguém se importa em dizer a que partido pertence.

Talvez porque, pelo menos em Serra Negra, isso pouco importa.

As relações de amizade, de compadrio, de interesses, é que valem.

Fulano vai votar no candidato do grupo político do atual prefeito - o sempiterno clã Chedid, que tem como chefe o ainda todo poderoso Jesus, irmão do falecido e conhecido Nabil - porque ele é funcionário público e não quer arriscar o emprego com uma mudança na administração - em Serra Negra existem muitos funcionários públicos.

Ou então vai votar em beltrano porque lhe deve um favor pessoal, ou porque ele lhe prometeu uma ajuda num negócio futuro, ou mesmo porque um parente próximo pediu o voto, ou porque simplesmente ele acha que aquele cara é legal, simpático e boa gente.

O fato é que até agora nenhum dos três candidatos a prefeito apresentou um programa de governo detalhado, algo que diga ao eleitor porque ele deve ser o escolhido, e não os seus adversários.

É tudo na base de sicrano é oposição ao prefeito, que por sua vez apoia um candidato que já lhe fez oposição, e nessa briga surge um terceiro que se apresenta como o novo, mas é filiado do PRB, o partido da Igreja Universal, coisa mais velha que a Sé de Braga.

O fato é que não existe novo na política serrana.

É tudo velho e manjado.

Não há nenhum candidato progressista - ou menos reacionário.

Os dois vereadores que o PT tinha se bandearam para o PR!

Ou seja, pelo menos na teoria fizeram as suas convicções ideológicas dar uma volta de 180 graus.

E um deles, para tornar a situação mais dramática, era o presidente do Diretório Municipal.

O atual prefeito, um octogenário de apelido Bimbo, foi condenado, em segunda instância, a perda do mandato e multa por improbidade administrativa.

Seu filho, eleito vereador, também foi condenado, por corrupção eleitoral.

Os exemplos da política de Serra Negra podem até chocar algumas pessoas mais puras de coração, mas o que acontece na cidade é tão somente uma repetição do que ocorre por todo o Brasil - a diferença é que numa cidade pequena é mais difícil esconder certos fatos.

Posso estar completamente enganado, mas penso que esta eleição municipal, de modo geral, vai reforçar ainda mais o tipo de política que se faz no Brasil desde sempre - apesar de todas as evidências de que grande parte da crise que o país vive é culpa exclusiva dessa gente que resolve entrar na vida pública para montar, onde conseguir, o seu balcão de negócios.

Pelo menos aqui em Serra Negra tenho a certeza de que nada vai mudar. (Carlos Motta)

Um comentário:

  1. Acredito tambem que não va mudar. Com o fim da Constituição, o Governo nada mais é que o cofre publico cercado de quadrilhas por todo lado. Mas como diz o Juiz: "isso não vem ao caso". É por isso que meu voto nessa eleição é: " solta o meu saco, seus cinicos vigaristas."

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