sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sim, o câmbio importa

O neoliberalismo econômico tem recebido críticas de um de seus maiores defensores, o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em maio deste ano, o artigo “Neoliberalismo: vendido em excesso?”, assinado pelo vice-diretor do departamento de pesquisas, Jonathan D. Ostry, o chefe divisional Prakash Loungani e pelo economista Davide Furceri, demonstra que a política que caracterizou a instituição já não é uma unanimidade. Resumidamente, os autores concluíram que as políticas defendidas pelo FMI de livre mobilidade de capitais e austeridade fiscal não funcionaram. Na realidade, em alguns casos estudados, aumentou a desigualdade, o que, no médio prazo, prejudicou o crescimento econômico. 

Mais interessante ainda é o recente posicionamento, tanto do FMI quanto de bancos internacionais, quanto à questão cambial. Neste mês, o economista sênior do Goldman Sachs, Alberto Ramos, declarou que o real está ficando sobrevalorizado novamente. Para ele, o câmbio de equilíbrio para o Brasil deveria estar em entre R$ 3,60 e R$ 4,00 reais. Segundo Ramos, o atual patamar de cerca de R$ 3,30 não é justo para a economia. “A economia está em uma depressão. O câmbio hoje deveria estar barato, competitivo”. 

Na mesma linha, na quarta-feira (27), o FMI divulgou que a onda de apreciação do real na primeira metade do ano esteve acima do apropriado. A instituição estima que, na realidade, em 2015, a taxa real de câmbio efetiva já mostrava uma apreciação de 5% a 15% em relação ao que seria adequado.

 Em suma, a taxa de câmbio tem sido colocada no centro do debate por instituições historicamente defensoras do neoliberalismo. A visão de que o câmbio seria uma variável residual (na linguagem econômica) tem sido colocada em xeque. Assim, é necessário que a política econômica passe a ser direcionada para o controle da volatilidade cambial e da rota de apreciação do real. Sem isso, o equilíbrio das contas externas e a competitividade dos produtos manufaturados nos mercados internacionais ficarão fortemente comprometidas. (Igor Rocha, economista/Fundação Perseu Abramo)

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