quinta-feira, 21 de julho de 2016

Pesquisas, fraudes e o vale-tudo


A fraude deste último Datafolha foi descoberta.

Mas quantas outras anteriores passaram despercebidas ou foram aceitas como verdades insofismáveis?

Pesquisas eleitorais no Brasil são pura enganação, servem apenas para dar um atestado "científico" a algo que se queira empurrar garganta adentro das pessoas.

Esse tipo de pesquisa que fazem Datafolha, Ibope e outras empresas, vendidas como detentoras de metodologia científica, é um serviço recente no Brasil, deve existir a partir dos anos 80 do século passado.

Antes de se tornarem a praga que são hoje, no lugar delas existiam as "enquetes" feitas por emissoras de rádio, principalmente, sem metodologia nenhuma.

Algumas até que davam certo, mas a maioria apontava resultados bem diferentes da realidade.

Esse tipo de "pesquisa" voltou a ser comum hoje em dia na internet: todo portal tem a sua, para saber desde qual é a comida favorita do brasileiro até para indicar quem será o próximo Nobel de Química.

Lembro que na eleição de 1982, quando tocava, com outros idealistas, o saudoso jornal diário Jundiaí Hoje, resolvemos fazer uma "pesquisa" para determinar quem levaria a prefeitura da cidade, assim como quem seriam os candidatos a vereador mais votados.

Na ocasião eu concorria a uma vaga na Câmara Municipal pelo recém-criado PT.

Os questionários da "pesquisa" foram distribuídos para praticamente todos os funcionários do jornal, entre eles a molecada que cuidava da entrega dos exemplares dos assinantes.

A surpresa veio quando contávamos os "votos" - meu nome aparecia entre os favoritos para a Câmara, assim como o nosso candidato a prefeito estava bem cotado para vencer a eleição.

Desconfiei.

Afinal, eu concorria apenas para engordar a nossa chapa de candidatos, sem nenhuma pretensão de vitória.

E acabei descobrindo que um dos entregadores do jornal havia distribuído o questionário no comitê do PT, sem ter a mínima ideia de que estava fazendo algo errado.

Mas mesmo assim a nossa "pesquisa" não fez feio. 

O candidato a prefeito que recebeu mais "votos" nela acabou mesmo sendo o vencedor da eleição, recebi 536 votos e fiquei em quinto lugar no PT, e nosso candidato a prefeito teve surpreendentes 10 mil e tantos votos e acabou em terceiro na disputa.

Pois é.

Datafolha, Ibope e congêneres não são tão inocentes quanto o nosso entregador e possuem um arsenal de truques muito mais eficiente para fraudar o resultado de qualquer pesquisa que façam. (Carlos Motta)

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