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O dr. Mesóclise está só explorando o terreno

Os dois meses de desgoverno do dr. Mesóclise são apenas um aperitivo do que vem por aí.

É mais do que evidente que o traíra continuará no cargo - ninguém espere que o Senado tenha homens de têmpera diferente daqueles que votaram, na Câmara dos Deputados, pelo impedimento da presidenta.

Por enquanto, tudo indica, o usurpador está apenas tateando o terreno e soltando balões de ensaio para ver até onde pode ir com os contêineres de maldades que despejará na cabeça dos pobres brasileiros assim que deixar de ser interino.

Que ninguém se engane: a missão do dr. Mesóclise é acabar com o tímido Estado de bem-estar social que os trabalhistas estavam montando no Brasil.

Para os patrões do dr. Mesóclise o país tem de voltar a ser o de antes de 2003, com um mercado de consumo de pouco mais de 10% de sua população, que usufruíam os bens e serviços produzidos e providos por uma massa que se conformava com a sua situação, enquanto outros tantos mal e mal conseguiam sobreviver.

Casa grande e senzala - assim era o Brasil de então e que os trabalhistas tentaram mudar, sem promover qualquer ruptura brusca, sem retirar qualquer benefício das chamadas "elites" ou mesmo da classe média, essa mesmo que hoje se mostra incomodada e inconformada por assistir à ascensão social e econômica de alguns milhões de pobres.

Como vivemos numa sociedade completamente dominada pela ideologia dos endinheirados, para os quais a existência de indivíduos informados, com o mínimo de educação formal e capazes de refletir sobre seu papel no mundo, é um enorme risco, pois são eles, afinal, os agentes das mudanças, torna-se imperativo que o desgoverno golpista aperte ainda mais os seus controles repressivos contra quem não está com ele e, assim que puder, imponha a sua agenda de retrocessos, doa a quem doer.

E é claro - vai doer, e muito, na quase totalidade do povo brasileiro.

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